Orientação

CBF orienta árbitros a não usarem sprays de barreira nos jogos do Campeonato Brasileiro

Presente em competições nacionais desde 2001, ferramenta está no centro de ações judiciais

A Comissão de Arbitragem da CBF orientou seus árbitros a não usarem sprays de barreira nos jogos do Campeonato Brasileiro. A ferramenta é o centro de ações que correm na justiça brasileira, e a própria CBF já recebeu duas notificações extrajudiciais por parte da empresa que detém as patentes sobre o produto.

Embora não tenha fornecido sprays para a primeira rodada da competição, duas das seis partidas tiveram o auxílio da tecnologia, mas porque os frascos pertenciam aos árbitros. Na última segunda-feira, por meio de um grupo no Whatsapp, a CBF reforçou o pedido para que os sprays não sejam utilizados.

A orientação deve valer, também, para o restante das competições organizadas pela entidade, como Copa do Brasil e divisões inferiores do Campeonato Brasileiro.

Empresa cobra explicações

Também na noite de segunda, a Spuni Comércio de Produtos Esportivos, empresa detentora das patentes, enviou à CBF uma notificação extrajudicial exigindo explicações sobre o uso do spray na primeira rodada do Brasileirão. Ela pede, entre outras coisas, informações como qual é o fornecedor do produto, valor da compra, notas fiscais...

Essa é a segunda notificação dos advogados da Spuni endereçada à CBF. Antes do início do Brasileirão, com o insucesso das negociações entre as partes no que diz respeito ao fornecimento da ferramenta para a competição, a empresa alertou a CBF para que não procurasse outro fornecedor "sob pena de medidas judiciais cabíveis".

Idealizador da ferramenta, Heine Allemagne trava há anos uma batalha judicial com a Fifa para ter reconhecidos os direitos fundamentais de inventor e para receber indenização pela ausência de boa-fé objetiva da maior entidade do futebol nas negociações. No mês passado, a Fifa obteve parecer favorável na primeira instância, mas a Spuni já recorreu da decisão.

Além do imbróglio principal, a Fifa deu entrada em agosto do ano passado numa ação pedindo a nulidade da patente do brasileiro sob a alegação de ausência de atividade inventiva. Esse segundo processo deve em breve entrar na sua fase pericial e, portanto, ainda não teve o julgamento do mérito em primeira instância.

O spray estreou como parte do equipamento da arbitragem no Brasil 19 anos atrás, em 2001, durante a Copa João Havelange.

 

Com o Globo Esporte. 

 

Repórter PB

Destaques