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Reforço do Flamengo, Thiago lembra mentor Jorge Henrique e início difícil: "Tinha nada"

Em coletiva de despedida do Náutico, atacante de 18 anos revelou que, até ano passado, para ir aos treinos, mal tinha dinheiro para as passagens de ônibus

Não há instrumento capaz de medir a volta que a vida de Thiago deu em menos de dois anos. Hoje negociado com o Flamengo como a maior venda da história do Náutico, o atacante teve de superar dificuldades até chamar a atenção do campeão brasileiro e da Libertadores. Na entrevista de despedida do clube de origem, nesta quinta, ele admitiu que a ficha de ter sido contratado pelo Fla ainda não havia caído - sobretudo porque, no início de 2018, nada lhe indicava um sucesso tão precoce ou perspectivas tão amplas. Meses atrás, Thiago "não tinha nada".

Quando começou a jogar na base do Náutico, em 2018, após ser reprovado no Palmeiras e no Sport, o atacante tinha de se virar para frequentar os treinos. Dinheiro, afinal de contas, não era artigo abundante em sua casa.

Pelo contrário.

"Não esperava que as coisas fossem acontecer tão rápido. Há um ano, se for pesquisar minha vida, eu não tinha nada, não era nada. No decorrer de oito meses, pude subir para o profissional, ganhei espaço, fui para Copinha, voltei para o elenco de cima, fui treinando na minha, fazendo minha parte, consegui ajudar o time e agora chamar atenção do Flamengo."
Resumida dessa forma, a trajetória parece ter sido sempre ascendente - livre de obstáculo. Mas a verdade é que, embora meteórica, a história de Thiago é uma história de superação.

Sacrifícios da mãe

A mãe, Patrícia Fernandes, precisou abrir mão de muita coisa para permitir ao filho sonhar em jogar futebol profissionalmente.

- Às vezes minha mãe tirava dinheiro da comida para me dar passagem para eu vir para os treinos. Às vezes, mesmo assim, só vinha com a passagem de ida. Às vezes só com a de volta. Tinha que pular a catraca do ônibus, pedir para o motorista para abrir a porta de trás, para vir aos treinos. Mas era um sonho desde pequeno e sempre corri atrás.

Não foi só a mãe que ajudou Thiago. No momento mais importante da vida, o atacante lembra de uma porção de amigos - nos ombros dos quais se sustentou para avançar no mundo do futebol: o pessoal do bairro do Pina, zona sul do Recife, os primeiros treinadores, a diretoria alvirrubra.

Amigo Jorge Henrique

Outros que deram suporte foram os colegas de time, como Jorge Henrique - uma espécie de tutor profissional de Thiago em seu primeiro ano no time de cima.

"Logo quando ele chegou, me abraçou como um filho para ele. Eu lembrava um pouco dele mesmo, com estilo de jogo parecido, e sempre me apoiou. Na final do Pernambucano, quando perdemos para o Sport na Ilha, eu estava chorando, ele me chamou num canto e disse para eu ficar tranquilo e que podia contar com ele no que precisasse."

Thiago planeja alcançar algumas das coisas que Jorge Henrique, ex-Corinthians, alcançou. Ser ídolo, conquistar títulos e marcar o nome na história de um dos maiores times do país - em seu caso, naturalmente, o Flamengo.

- É uma das melhores sensações da vida ir para um clube como o Flamengo, um dos maiores do Brasil. Penso em ir para lá, se Deus quiser, para conquistar meu espaço e fazer história no Flamengo. Sempre acompanhava os jogos deles, virou a sensação do momento. Quem não quer jogar no Flamengo? Ainda não caiu a ficha.

Passo além

Mas Thiago também sabe que chegar a esse patamar no Flamengo, dono da maior torcida do país - também uma das mais exigentes - não é fácil. Por isso, entende que precisa evoluir.

A joia definiu até as características em que mais tem de trabalhar.

- Creio que ainda falta muita coisa para eu melhorar. Pegar mais força muscular, mais massa. Não sei se os treinamentos lá são iguais aos daqui. A princípio, vou para o time sub-23 para fazer a transição, ora treinando em baixo, ora treinando em cima.

Globo Esporte. 

 

Repórter PB

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