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Rogério Ceni não resiste à pressão e é demitido pelo Cruzeiro

Treinador cai um dia após empate sem gols com o Ceará, no Castelão, e polêmica no vestiário envolvendo jogadores em defesa ao meia Thiago Neves, que ficou no banco de reservas

Chegou ao fim a curta passagem do técnico Rogério Ceni pelo Cruzeiro. Menos de dois meses após a chegada à Toca, o treinador foi demitido no início da noite desta quinta-feira, após reunião com Itair Machado, vice-presidente de futebol do clube.

Ainda no vestiário do Castelão, nessa quarta, após empate sem gols com o Ceará, houve um desentendimento por conta da insatisfação de alguns jogadores com a ausência do meia Thiago Neves na partida. Ele ficou no banco de reservas durante os 90 minutos. Esse episódio foi o estopim para a saída do treinador da Toca. Os auxiliares Nelson Simões e Charles Hebert, e o preparador físico Danilo Augusto também deixam o Cruzeiro.

Antes mesmo de anunciar a saída do treinador, o clube já havia iniciado contato com possíveis substitutos. Dorival Júnior, que treinou a Raposa em 2007, era o preferido, mas não vai assumir nenhum trabalho neste momento por estar com cirurgia marcada. Luiz Felipe Scolari e Adilson Batista, que também têm passagens pela Toca, são nomes especulados.

Houve uma reunião na tarde desta quinta-feira na Toca da Raposa entre o treinador e a cúpula do clube, durante a qual foi definida a saída dele. O contrato de Ceni com a Raposa ia até o fim de 2020. Em um mês e meio, foram oito jogos, duas vitórias, dois empates e quatro derrotas.

Foram oito jogos à frente do Cruzeiro e apenas duas vitórias. Ceni deixa a Raposa em 16ª lugar na competição, com apenas 19 pontos. Mesma pontuação do CSA, primeiro time que figura a zona de rebaixamento - e que ainda joga pela 21ª rodada do Brasileiro, podendo ultrapassar a equipe celeste.

Depois da discussão no vestiário, a TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo em Fortaleza, confirmou que Rogério Ceni teve uma conversa com o vice presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, ainda na noite de quarta-feira. O dirigente sugeriu que Ceni pedisse demissão, mas o treinador recusou. Em contato com a reportagem, a diretoria do Cruzeiro não quis comentar o assunto.

Trajetória

A vida de Rogério Ceni no Cruzeiro não foi fácil, apesar do apoio que tem tido da torcida - manifestado pelas redes sociais e nos protestos contra o mau momento do time. Ele assumiu o clube em meados de agosto, diante do Santos, na 15ª rodada do Brasileirão, e começou bem, vencendo o então líder do campeonato.

Ceni também esteve à frente da equipe no segundo jogo da semifinal da Copa do Brasil, diante do Internacional. O Cruzeiro havia sido derrotado por 1 a 0, na primeira partida, ainda com Mano Menezes, e no jogo da volta, o primeiro revés de Ceni com a Raposa - 3 a 0. Foi depois dessa partida que o clima começou a "azedar".

Depois da eliminação na Copa do Brasil, o meia Thiago Neves deu declarações polêmicas em relação à escalação. Disse que o treinador fez “muitas mudanças para uma decisão”.

Rogério Ceni chegou a rebater o meia, dizendo que ele não ficou satisfeito em ver um amigo no banco. No caso, Edilson. A respeito disso, o diretor de futebol, Marcelo Djian, afirmou que Thiago Neves se exaltou, e que uma reunião entre o elenco teria acontecido.

- Houve excesso do Thiago, mas nós conversamos internamente e está tudo resolvido. Sempre acontece um pouco de estresse quando é uma entrevista diferente, mas já foi conversado. Colocamos tudo que deveria ser falado entre jogador e treinador. E está tudo resolvido - disse, à época, Marcelo Djian.

No último dia 22, Marcelo Djian voltou a falar sobre o momento do time e fez questão de afastar qualquer possibilidade de nova mudança no comando técnico. Aproveitou para transmitir confiança no trabalho que vem sendo feito por Ceni. Menos de uma semana depois, a história do treinador no Cruzeiro chegou ao fim.

Globo Esporte.

Repórter PB

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