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Mulheres de minorias raciais fazem menos exercícios no tempo livre

Rádio Agência

20/07/2026 às 19:50

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Estudo aponta que mulheres de minorias raciais – como pretas, pardas, amarelas e indígenas – com baixa escolaridade têm os menores índices de atividade física no tempo livre. Pesquisadores da USP, a Universidade de São Paulo, acompanharam o mesmo grupo, de quase mil pessoas, ao longo de dez anos e constataram cientificamente que o exercício físico durante o lazer é um privilégio de grupos mais favorecidos socialmente, como homens brancos com maior escolaridade.

O estudo revelou que, entre 2014 e 2024, a prática de atividade física cresceu entre a população de São Paulo, mas esse aumento foi consideravelmente maior entre grupos socialmente favorecidos. Andreia Miranda, nutricionista e pesquisadora da USP, ressalta que as desigualdades não apenas persistiram ao longo de uma década, como se tornaram ainda mais evidentes:

"Nosso estudo mostra que a atividade física não é apenas uma escolha individual, ela também reflete as desigualdades que existem na sociedade. Então, sabemos que a prática de atividade física no lazer depende de tempo livre, acesso a espaços adequados, segurança, recursos financeiros e oportunidades para se exercitar."

Gênero é determinante

Além do fator econômico, a questão de gênero também foi determinante no resultado da pesquisa. Mulheres que acumulam jornadas duplas ou triplas de trabalho, com o cuidado da casa e dos filhos, têm ainda menos tempo para lazer e para a prática da atividade física. A desigualdade também está presente no acesso a espaços públicos para a prática de exercícios físicos. Políticas públicas poderiam reduzir esse abismo, como explica a pesquisadora Andreia Miranda:

"O acesso a espaços seguros e gratuitos para a prática de atividade física é fundamental para reduzir essas desigualdades. É preciso garantir que eles estejam presentes, sobretudo, nas regiões mais vulneráveis da cidade, que sejam seguros, bem cuidados e acessíveis também para mulheres, idosos e populações mais desfavorecidas."

Os dados, divulgados em artigo publicado em uma revista científica internacional da área de nutrição e atividade física, também mostram que a diferença é menor quando se analisa a prática de um exercício físico associada ao transporte urbano, como no caso das caminhadas. Porém, para os grupos mais desfavorecidos socialmente, caminhar para se deslocar não é uma ação pensada como forma de promover a saúde ou o lazer, mas uma necessidade relacionada à falta de acesso ao transporte público e à mobilidade urbana.

*Com produção de Helder Castro

3:05

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