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'Cidades cresceram e não se prepararam', diz especialista sobre alagamentos em municípios da PB após chuvas intensas

G1 PB

04/05/2026 às 14:58

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Previsão é de chuva em boa parte do Brasil nesta segunda-feira (4)A Paraíba enfrenta uma sequência de fortes chuvas que já provocaram mortes, alagamentos, cheias de rios e milhares de pessoas afetadas em diferentes regiões do estado. Em apenas dois dias, João Pessoa registrou quase 70% da média histórica de chuvas previstas para todo o mês de maio, segundo dados da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec-JP).✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsAppDe acordo com o órgão, choveu 196 milímetros em um intervalo de 48 horas, enquanto a média histórica para maio é de 282 milímetros. O volume elevado em um intervalo tão curto dá a sensação de que o período chuvoso começou antes do esperado. Para entender o fenômeno e o impacto sobre as cidades, o g1 ouviu o professor de climatologia Ranyére Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).Para o climatologista, os impactos da cheia evidenciam problemas estruturais antigos. Ele explica que as cidades cresceram sem planejamento urbano adequado, com ocupação de áreas vulneráveis e outros fatores que ampliam os efeitos das chuvas intensas."Fato é que as cidades cresceram e não se prepararam. Há um considerável assoreamento nos rios, falta drenagem adequada, as cidades crescem de forma desordenada. Nas secas havia a dispersão, nas cidades há uma concentração, então a violência do evento acaba sendo muito mais sentida de imediato", disse.Segundo o especialista, o evento não representa exatamente um adiantamento do calendário das chuvas, mas sim um comportamento mais intenso do sistema climático que atua sobre o Nordeste.Impacto da “Zona de Convergência Intertropical”Santa Rita, na Grande João Pessoa, ficou alagada após chuvasKarine Tenório/TV Cabo BrancoO professor Ranyére Nóbrega afirma que a atuação mais intensa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) explica o volume elevado de chuvas registrado na Paraíba nos últimos dias. “Este ano a Zona de Convergência Intertropical está muito mais ativa do que o normal, então, não foi em si um adiantamento. No final de abril e início de maio já começamos a observar as chuvas no litoral e agreste com mais frequência. A eventualidade foi a intensidade das chuvas, principalmente num curto tempo", explicou.🔎 A ZCIT é uma grande banda de nuvens e tempestades que circula a região equatorial do globo. Ela se forma pelo encontro de ventos alísios úmidos dos hemisférios Norte e Sul, que forçam a subida do ar quente e favorecem a formação de nuvens carregadas. Entre fevereiro e maio, é o principal sistema responsável por chuvas intensas no Norte e Nordeste do Brasil.Nóbrega explica que anos e meses mais chuvosos ou mais secos fazem parte do ciclo natural do clima. O que chama atenção, segundo ele, é que os eventos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, com grandes volumes de chuva concentrados em poucos dias. Esse comportamento está associado ao aquecimento global, afirma o pesquisador.“Já há indicativos de que esses extremos acontecem por causa do aquecimento global. Extremos cada vez mais frequentes. Isso é preocupante, porque houve um processo de migração do rural para as cidades. As cidades cresceram e não se desenvolveram nem para o clima anterior, quanto mais para estas tendências atuais. (…) Tanto a seca quanto as chuvas afetam os mais vulneráveis, historicamente e atualmente”, disse.Cheia do Rio Paraíba e falta de preparo das cidadesO nível do Rio Paraíba subiu mais de sete metros na região próxima ao município de Santa Rita, segundo a Defesa Civil, após as fortes chuvas que atingem a Paraíba desde a última sexta-feira (1º). A elevação rápida das águas do rio contribuiu para alagamentos e deixou milhares de pessoas fora de casa.Desde o início do período chuvoso mais intenso, o estado já contabiliza duas mortes, mais de 3 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas e 31 municípios em situação de emergência. Ao todo, 37,4 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas em diferentes regiões da Paraíba.Chuvas na Paraíba devem continuar nos próximos dias, segundo alerta do InmetChuva na Paraíba provoca risco de deslizamento, alagamentos e deixa meio milhão de pessoas sem águaReprodução/GloboPara o climatologista, os impactos da cheia evidenciam problemas estruturais antigos. Ele explica que as cidades cresceram sem planejamento urbano adequado, com ocupação de áreas vulneráveis e outros fatores que ampliam os efeitos das chuvas intensas."Fato é que as cidades cresceram e não se prepararam. Há um considerável assoreamento nos rios, falta drenagem adequada, as cidades crescem de forma desordenada. Nas secas havia a dispersão, nas cidades há uma concentração, então a violência do evento acaba sendo muito mais sentida de imediato", disse.O especialista acrescenta que a configuração da bacia do Rio Paraíba favorece cheias rápidas, o que intensifica os impactos das chuvas em áreas urbanas.“As nascentes estão localizadas em partes altas do Planalto da Borborema, então a água desce com muita velocidade, o que favorece picos de cheia. Há pouca infiltração porque o solo é rochoso, aumentando o escoamento superficial e fazendo com que o nível dos rios suba muito rápido", comentou o climatologista.Medidas de respostaO governo da Paraíba decretou situação de emergência nas regiões mais afetadas pela chuvaReprodução/TV GloboEquipes da Defesa Civil Nacional chegaram à Paraíba no domingo (3) para apoiar os municípios atingidos. Os técnicos orientam as prefeituras sobre o reconhecimento federal de situação de emergência e a solicitação de recursos para assistência humanitária, restabelecimento e reconstrução.O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instituiu um gabinete de crise para coordenar a atuação institucional diante dos impactos das chuvas. A medida foi anunciada pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans, com participação da promotora Cláudia Cabral, coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente.E a Prefeitura de João Pessoa disponibilizou quatro pontos de arrecadação para doações de roupas e colchões para as famílias desabrigadas (confira lista com os locais mais abaixo).🌦️ Previsão para os próximos diasDia de chuva em João PessoaKrys Carneiro/G1As chuvas devem continuar na Paraíba nos próximos dias, mas a tendência é de redução no volume. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esta segunda-feira (4) tem possibilidade moderada de ocorrências hidrogeológicas, como deslizamentos pontuais em encostas, em razão do acumulado de chuva e da previsão de novos episódios, que podem variar de moderados a fortes.O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também renovou os alertas de chuvas intensas para municípios do estado. O alerta amarelo, de perigo potencial, é válido até as 10h da quinta-feira (7).De acordo com o Inmet, nas áreas sob esse nível de alerta, pode chover entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, com ventos entre 40 e 60 quilômetros por hora. O órgão informa que há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.Decreto de situação de emergênciaA Paraíba tem 31 cidades em situação de emergência por conta das fortes chuvas que atingem o estado desde a última sexta-feira (1°), conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE-PB) (confira a lista completa de cidades abaixo).Com o decreto, órgãos e entidades da Administração Pública do Estado podem tomar várias medidas emergenciais, como abertura de crédito extraordinário e concessão de auxílio financeiro emergencial às famílias diretamente atingidas pelas chuvas. O decreto, publicado em edição extraordinário do DOE neste domingo (3), tem prazo de 180 dias. As cidades em situação de emergência estão entre as mais afetadas pelas chuvas. Cidades em situação de emergência por conta das chuvas na Paraíba:Alagoa GrandeAlhandraAreiaBayeuxCaaporãCondeCruz do Espírito SantoGurinhémIngáItabaianaItatubaJoão PessoaJuripirangaPedras de FogoPilarPilõesPitimbuRiachão do BacamarteRio TintoLagoa SecaSerra RedondaSerrariaMassarandubaMogeiroMulunguNatubaSanta RitaSalgado de São FélixSão José dos RamosSão Sebastião de Lagoa de RoçaSapé🔎Os paraibanos afetados sofreram impactos diretos ou indiretos com as fortes chuvas na região. Muitos ficaram sem água e sem energia nas residências, tiveram as casas invadidas pela água, mas não foi necessário abandonar o imóvel.Campanhas solidáriasPara ajudar as famílias afetadas, é possível fazer doações de colchões, cobertores, alimentos não perecíveis, agasalhos, roupas e água potável. Confira, abaixo, os pontos de entrega:Governo do Estado - Casas da CidadaniaCasa da Cidadania de QueimadasRua César Ribeiro, S/N - CentroCasa da Cidadania de IngáRua Presidente João Pessoa, 10-A, CentroCasa da Cidadania de Partage-CGAv. Prefeito Severino Bezerra Cabral, 1050 - CatoléCasa da Cidadania do Citymix-CGRua Getúlio Vargas, 574 - CentroCasa da Cidadania do Valentina-JPRua Prof. Emília Alves de Souza, 38Casa da Cidadania de AlhandraRua João PessoaCasa da Cidadania de CabedeloRua João Machado, S/N - CentroCasa da Cidadania de Mangabeira-JPRua Elias Pereira de Araújo, S/NCasa da Cidadania do Bessa-JPRua Bacharel José de Oliveira Curchatuz, 850 - Jardim OceaniaCasa da Cidadania de Jaguaribe-JPAv. Primeiro de Maio, 146Casa da Cidadania de CondeRua Pedro Meneses Florêncio, 100Casa da Cidadania do Tambiá-JPAv. Dep. Odon Bezerra, 184 - Centro, Shopping Tambiá - Piso L3Casa da Cidadania de Manaíra-JPAv. Flávio Ribeiro Coutinho, 805, 3° piso - Shopping ManaíraCasa da Cidadania de BayeuxAv. Liberdade, 3.655 - Sesi - Liber MallCasa da Cidadania de PitimbuRua da SaudadeCasa da Cidadania de SapéAv. Getúlio Vargas, 165Casa da Cidadania de GuarabiraAv. Otacílio Lira Cabral, 100, Shopping Cidade Luz - Areia BrancaCasa da Cidadania de ItabaianaAv. Presidente João Pessoa, 488, CentroCasa da Cidadania de MariRua Everaldo da Silva Pereira, S/N, Pasto NovoCasa da Cidadania de MamanguapeRua Pres. João Pessoa, S/N - CentroJoão PessoaOs locais de arrecadação são:Centro de Cooperação da Cidade, na Avenida João Cirilo da Silva, no Altiplano;Centro Cultural Tenente Lucena, em Mangabeira;e os shoppings Mangabeira e Manaíra, com funcionamento das 8h às 17h.Mortes na ParaíbaVítimas de choque elétrico em corrida de rua em Guarabira, PBMontagem/g1Em Guarabira, duas pessoas morreram vítimas de choque elétrico pouco antes de uma corrida de rua em comemoração ao Dia do Trabalhador.Quem eram as vítimas de choque elétrico em corrida de rua em GuarabiraChovia forte em Guarabira no momento do incidente. Testemunhas relataram que o caso pode ter sido provocado por uma descarga elétrica causada por um fio energizado em contato com a água e com a estrutura montada para a corrida.Os corpos de Washington Gonçalves, de 42 anos e Antônio Felipe da Silva Júnior, de 36 anos, foram sepultados na tarde deste sábado (2).Duas pessoas morrem eletrocutadas em concentração de corrida, em GuarabiraDemais transtornos na PBChuvas provocam destruição e isolam moradores da cidade de Ingá (PB)Após as fortes chuvas que atingiram a Paraíba, o rio que corta a cidade de Ingá, no Agreste da Paraíba, transbordou e causou a destruição parcial de uma ponte, deixando moradores ilhados na sexta-feira (1º).A situação mais preocupante é na ponte que faz a conexão entre os dois lados da cidade. Parte da estrutura cedeu e foi levada pela água, e uma grande rachadura apareceu no asfalto, aumentando o risco de um colapso total.No momento em que a ponte cedeu, um homem chegou a cair no rio e ser arrastado, mas conseguiu ser resgatado. Por causa do risco, a ponte foi interditada para veículos e apenas pedestres podem atravessar com autorização da Defesa Civil. O fechamento deixou um lado da cidade ilhado, onde fica a UPA, que é referência para a região, impedindo o acesso de quem precisa de socorro.Outros transtornos foram registrados em outras cidades da Paraíba, especialmente nas regiões do Agreste e Litoral. Em Itatuba, uma casa desabou, mas ainda não há informações sobre feridos.Cratera se abriu na estrada para cidade de Pedras de FogoFlávio Fernandes/TV Cabo BrancoUma das faixas da rodovia PB-032, principal acesso ao município de Pedras de Fogo, na Zona da Mata paraibana, foi totalmente interditada após o aumento de uma cratera que se abriu na via com as fortes chuvas.A rodovia estava parcialmente interditada desde a última terça-feira (28), quando a cratera se abriu após as fortes chuvas.Um desvio provisório pela zona rural de Pedras de Fogo estava funcionando desde então, mas na sexta (1°), com rompimento total do trecho que já estava bloqueado, a via foi completamente interditada e o DER também passou a não recomendar o uso do desvio.Segundo o órgão, obras de reforço de solo estavam sendo realizadas para evitar o agravamento da situação. No entanto, as fortes chuvas que voltaram a atingir a região provocaram o rompimento.Barragem e barreiros rompem, causam destruição e deixam morador desalojado, no Agreste da PBReprodução/Defesa Civil de Lagoa SecaUma barragem rompeu e pelo menos outros dois barreiros também cederam na sexta-feira (1º), na zona rural de Lagoa Seca, no Agreste da Paraíba. De acordo com a Defesa Civil do município, uma pessoa precisou ser resgatada.“Tivemos o rompimento de algumas barragens e pequenos barreiros causando prejuízo e conseguimos resgatar uma pessoa que teve sua casa atingida, com sua integridade física intacta, mas os bens materiais foram todos levados, sendo casa, os móveis, a cisterna dele. Muita destruição”, disse George Neemias, coordenador da Defesa Civil de Lagoa Seca.Segundo o coordenador, a vítima foi encaminhada para a casa de familiares na região e está bem. O imóvel foi atingido pela água, e o morador perdeu pertences.A Defesa Civil informou que a barragem que rompeu é de médio porte. Já os demais reservatórios atingidos, quatro barreiros, segundo o órgão, eram de pequeno porte.Fortes chuvas provocam transtornos em João Pessoa e moradores protestam por infraestruturaReprodução/TV Cabo BrancoMoradores do bairro Muçumagro, em João Pessoa, protestaram na sexta-feira (1°) após relatarem transtornos causados pelas chuvas desde a última terça-feira (28). Eles cobram melhorias na infraestrutura da região para evitar enchentes.Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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