
03/05/2026 às 10:20


Pelo menos três produções com essa discussão concorrem ao Platino, a principal premiação do cinema ibero-americano. Os vencedores serão anunciados em 9 de maio, no México.
Além deles, a memória sobre a ditadura militar está no documentário paraguaio Sob as bandeiras, o Sol, de Juanjo Pereira.
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O Agente Secreto discute o apoio empresarial ao regime, a perseguição política e o apagamento da memória sobre a ditadura no Brasil, enquanto o documentário de Petra busca retrata a influência da religião evangélica nos rumos da política. Já o filme paraguaio recupera imagens raras para retratar a ditadura naquele país.
“Nossos países possuem populações privadas de direitos, como saúde, alimentação e moradia, e essas carências provocam insatisfações”, analisou o professor de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Paulo Renato da Silva.
Para ele, é na democracia, e não em regimes autoritários, que as demandas por direitos podem ser atendidas.
“É a democracia que permite você olhar para essas demandas [por direitos] e, como sociedade, buscar atendê-las”, afirmou.
Os regimes autoritários, explicou, tendem a favorecer certos grupos políticos e econômicos, que cerceiam a liberdade de expressão e outras manifestações de opositores.
Paulo Renato é um dos maiores pesquisadores da ditadura no Paraguai, regime que contou com apoio do Brasil em articulações como a Operação Condor, citada no documentário paraguaio.
A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense Marina Tedesco, estudiosa da cinematografia latino-americana, acrescenta que a fragilidade democrática na América Latina é “uma pauta não resolvida”.
“Ainda vemos presidentes e importantes atores políticos defendendo o regime militar ou afirmando que não foram graves”, afirmou, tanto em relação à violação de direitos quanto aos casos de corrupção.
Ela lembrou que o presidente Alfredo Stroessner, do filme de Juanjo Pereira — líder de um regime corrupto e brutal que prendeu e torturou mais de 20 mil pessoas — foi reverenciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
No cinema, segundo Tedesco, a democracia sempre esteve em pauta. Primeiro, clandestinamente, e, depois, no exílio, por pessoas perseguidas políticas.
Continuar lendo ...“Pelo fato de a discussão incomodar, ainda vemos governos autoritários na América Latina atacando tanto o cinema ─ uma instância onde esses temas ainda são tratados”, reforçou.
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