
28/04/2026 às 06:39
Aviso aos navegantes! Diante da onda masculinista que avilta a cidadania de todas nós Marias, nosso programa se une à indignação de todas as pessoas que se negam a aceitar a injúria racial proferida por um enviado especial do governo de Donald Trump que, sem nenhum pudor, afirmou que nós, brasileiras, somos uma raça maldita. Além disso, ainda fez questão de ressaltar que nós somos programadas para a confusão. E em resposta, de hoje até a próxima quinta-feira, que é o Dia Nacional da Mulher no Brasil, nós vamos estar no ar com o podcast que nasce do nosso desejo de responder a essa declaração criminosa na voz de quem, sem meias palavras, está a exigir respeito e retratação.

Podcast Desagravo às Mulheres do Brasil.
Bem, damos início a esse primeiro episódio com a declaração da ex-ministra Simone Tebet em defesa das mulheres brasileiras que, pelas redes sociais, manifestou não só sua revolta contra o italiano Paolo Zampolli, bem como hipotecou solidariedade a todas nós.
Esse senhor tem que vir a público fazer um pedido público de desculpas ao Brasil e às mulheres brasileiras. Eu sei que hoje é sábado, é dia de lazer, é dia de descanso, mas não tem como passar o final de semana sem eu me manifestar aqui. Manifestar a minha profunda indignação, a minha revolta contra a fala mais do que preconceituosa, criminosa, de um servidor do alto escalão do governo americano contra as mulheres brasileiras. Quando disse esse senhor que as mulheres brasileiras são p-p-p, que são uma raça maldita e todas iguais. Ofende esse senhor não só todas as mulheres do Brasil, mas ao povo brasileiro, que reconhece a mulher valorosa e guerreira que somos. Esse senhor tem que vir a público fazer um pedido público de desculpas ao Brasil e às mulheres brasileiras. Por isso hoje eu somo a minha voz à voz de centenas de mulheres que estão vindo nas redes sociais manifestar a sua absoluta indignação.
Enquanto esperamos um pedido público de desculpas de Paolo Zampolli ao Brasil e às brasileiras, vamos ouvir agora uma voz que, desde o período constituinte, à frente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, sempre se pautou pela defesa intransigente dos nossos direitos. Falo de Jacqueline Pitanguy, socióloga e coordenadora executiva da ONG CEPIA Cidadania. Jacqueline, minha amiga, o que você tem a dizer sobre as palavras ofensivas e preconceituosas do italiano Paolo Zampolli, assessor especial do governo Trump?
Paolo Zampollini, um italiano muito rico e muito poderoso que atua como assessor do presidente Trump, ao dizer que as mulheres brasileiras fazem confusão em todo o mundo, eu acho que, de certa forma, ele está dizendo que as mulheres brasileiras são muito poderosas. Que as mulheres brasileiras têm, digamos, esta capacidade de desorganizar o mundo. E ao fazer isso, ele claramente tenta, partindo de uma situação individual, né, a sua relação com a brasileira Amanda Ungaro — uma situação individual de violência doméstica, de separação, de guarda de filhos — ele transforma isso numa preleção contra 100 milhões, ou mais de 100 milhões de mulheres brasileiras, que estariam, de uma certa forma, ameaçando aos homens na sua totalidade. Então, ao fazer isso, Mara, me vem assim à mente a questão da perseguição das mulheres como bruxas, que foi uma construção, né, uma construção mental de que as mulheres eram perigosas, as mulheres estavam desorganizando o mundo. Isso aconteceu na Europa nos séculos XIV, XV, XVI, mas é a mesma coisa: você transforma a categoria mulher numa categoria perigosa, que precisa ser contida, precisa ser dominada, precisa ser castigada. Então, ao fazer essa, digamos assim, construção simbólica de que as mulheres brasileiras são capazes, né, de desorganizar, que são programadas... é, que são prostitutas — isso, ele usa essa palavra — nós aí temos um exemplo claro de misoginia, né, e o perigo do feminicídio certamente aumenta, né? E aumenta assim de uma maneira que ultrapassa uma situação individual. É a categoria mulher que passa a ser desorganizadora, programada para a desordem, etc. e tal, e que merece ser castigada. Certamente há uma relação com a possibilidade do aumento do feminicídio a partir dessa misoginia, né, que é colocada para todas as mulheres brasileiras.
Sim, Jacqueline. Como bem disse a ministra Márcia Lopes, do Ministério das Mulheres, em nota oficial: "Misoginia não constitui opinião. Trata-se de uma manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando assim uma prática criminosa". E nesse sentido, a ministra ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão. Ainda segundo a ministra, o governo do Brasil reafirma seu compromisso com a promoção dos direitos das mulheres e com o enfrentamento de todas as formas de violência de gênero e raça, incluindo a misoginia. No mesmo tom, Janja Lula da Silva também publicou em suas redes sociais um repúdio à fala de Zampolli, dizendo que ele, quando acusado por sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, de violência doméstica e abuso sexual psicológico, não conseguiu enxergar nas mulheres brasileiras nossa força e coragem. Mulheres que rompem diariamente ciclos de violência e de silenciamento. Dizer que somos uma raça maldita e programadas para causar confusão, segundo Janja, não nos diminui, muito pelo contrário. E isso porque sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente. Viva Maria!
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