
23/02/2026 às 21:32
A CPMI do INSS viveu um dia de impasses nesta segunda-feira (23). Enquanto a empresária Ingrid Morais Santos passou mal durante seu depoimento, a ausência do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, provocou revolta entre os parlamentares. O banqueiro obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou sua presença facultativa, derrubando um acordo que previa sua vinda a Brasília com escolta policial.

O presidente da comissão, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, criticou duramente a decisão do ministro André Mendonça e informou que a advocacia do Senado Federal já recorreu contra o habeas corpus para garantir o depoimento presencial, rejeitando propostas da defesa do banqueiro para realizar a oitiva por videoconferências ou reuniões fechadas em São Paulo.
O senador classificou a medida como uma interferência que atrasa os trabalhos da comissão parlamentar:
“Nós temos um entendimento completamente diferente entre a CPMI, o Parlamento e o Supremo Tribunal Federal. Vorcaro, no inquérito da Polícia Federal, é tratado como investigado. No nosso caso, ele é testemunha, porque o nosso relatório ainda não está pronto para que se possa pedir o indiciamento. Portanto, a meu ver, mais uma vez, a decisão do Supremo Tribunal Federal interfere, prejudica e atrasa as nossas investigações.”
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil de Alagoas, também subiu o tom. Ele rechaçou qualquer tratamento privilegiado ao banqueiro, afirmando que o local de prestar contas é na Comissão, em Brasília:
“Eu sou contra depoimento marmita a gosto do freguês. Local de depoimento é na CPMI. Eu não fiz nenhuma tratativa com Vorcaro e acho fundamental nós não termos justiça de investigado VIP e investigado que não é VIP. Vorcaro deveria estar aqui prestando contas ao Brasil.”
O senador Carlos Viana informou ainda que pretende colocar informações sigilosas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitadas pelo colegiado, em uma sala-cofre. Os dados oriundos das quebras de sigilos fiscal e telemático estavam sob custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por ordem do ministro Dias Toffoli.
Dando sequência aos trabalhos da comissão, os parlamentares ouviram nesta hoje Ingrid Morais Santos, sócia e esposa Cícero Marcelino, assessor da Conafer, entidade suspeita de desvios na previdência. Ingrid e o marido são investigados por operações financeiras atípicas e lavagem de dinheiro com carros de luxo. No entanto, amparada por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, ela optou por permanecer em silêncio diante da maioria das perguntas dos parlamentares.
Logo no início do depoimento, ao ser questionada pelo presidente da CPMI, Carlos Viana, Ingrid Santos disse não ter conhecimento sobre o aumento do patrimônio do marido, Cícero Marcelino, em depoimento prestado à Polícia Federal no ano passado:
“Eu não vou conseguir trazer as mesmas informações porque eu não entendo nada do caso, do que ele fez, do que ele deixou de fazer. Por mais que eu estava presente, as mesmas informações eu não consigo.”
Após a breve participação na CPMI, Ingrid passou mal durante a sessão e foi encaminhada para avaliação da equipe médica do Senado. A oitiva foi interrompida após a empresária ficar abalada durante uma sequência de perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar.
“Me compadeço do estado da depoente, mas queria deixar registrado aqui que em nenhum momento extrapolei qualquer condução no depoimento dela. Só gostaria de relembrar que a depoente recebeu, além das contas da empresa, mais de R$ 13 milhões. Infelizmente, dinheiro dos aposentados e pensionistas do Brasil”, destacou o parlamentar.
Na próxima quinta-feira (26), está prevista a votação de novos requerimentos e quebras de sigilo no âmbito da CPMI do INSS.
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