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Paz de Deus: antídoto contra as inimizades

Mostrar que depois de receber a paz de Cristo, o crente deve transmiti-la as outras pessoas;

Escola Bíblica Dominical – 29 de janeiro de 2017 | Lição 5
Texto Áureo: Jo 14.27

Verdade prática: A paz, como fruto do Espírito, não promete inimizades e dissensões.

Leitura bíblica em classe: Efésios 2. 11-17

REFLEXÃO E OBJETIVO DA AULA: 1) Mostrar que depois de receber a paz de Cristo, o crente deve transmiti-la as outras pessoas; 2) Explicar que existem três tipos de inimizades e o seu alvo é destruir a unidade da Igreja de Cristo; 3) Saber que temos a missão de anunciar o evangelho e para isso precisamos ter paz com todos.

INTRODUÇÃO:

a. Paz: (produzido pelo Espírito)
b. Inimizade (produzida pela carne).
c. A paz de Cristo, o mundo nunca vai experimentar (Jo 14.27).
d. A falta desta paz faz com o que o homem viva em guerra contra Deus e contra o seu próximo.
e. O homem sem Cristo fomenta a guerra contra o seu próximo para ter paz consigo mesmo.
f. O cristão, no entanto, procura manter a paz com todos (no que depender dele) e a guerra consigo mesmo.
g. A paz de Cristo excede todo o entendimento; não é algo epistemológico; ela não virá pelo esforço cognitivo ou intelectual; é dada pelo Espírito.
h. Mesmo em meio a crise financeira, problemas familiares e saúde – Cristo sempre nos “surpreende com a sua alegria”.

I. A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO

1. Paz.

a. A paz que excede todo o entendimento (Fp 4.7) afeta os nossos sentimentos e emoções. Paulo afirma que o Reino de Deus não se trata de comida ou bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).
b. No grego, o vocábulo paz é eirene e refere-se à unidade e harmonia.
c. As duas coisas mais desejadas pelas pessoas são a paz e o amor. Porém, fora de Cristo tudo não passa de imitação barata. Quanto mais o homem se esforça para amar o seu próximo e manter a paz com ele – sem a sujeição a Cristo e a sua palavra – mais ele desce ladeira abaixo com a sua vanglória e justiça.
d. Olhe ao redor e veja: violência (pessoas amedrontadas), síndrome do pânico (ainda que não haja ameaça ou perigo).
e. O mundo está doente; precisamos nos ater para este fato, pois muitos irmãos estão passando por diversos problemas emocionais. Precisamos da graça de Deus para saber se a questão é espiritual ou uma disfunção física (se este for o caso, o tratamento médico deve ser indicado!).
f. Saber, pois, que o problema é físico e não procurar o médico, alegando que “Deus o curará” – é pecado, pois tal atitude nada tem a ver com a fé bíblica. Pelo contrário, quem age assim está tentando Deus (Mt 4. 5,6,7).

2. Paz com Deus.

a. A “paz com Deus” é diferente da “paz de Deus”.
b. A paz com Deus é uma bênção ligada ao passado. Trata-se de algo que já aconteceu. Não é a paz de Deus (Fp 4.7), mas a paz com Deus (Rm 5.1). Não é um sentimento, mas um relacionamento. É a paz da reconciliação com Deus.1
c. Essa paz é estabelecida de forma que não há mais inimizade entre Deus e o homem. Este ministério, constituído em Cristo, é chamado “ministério da reconciliação” (2 Co 5.18).
d. Deus está em Cristo, de forma que, quem está em Cristo está em Deus (2 Co 5.18,19). Essa é a paz “com Deus”. Confronta é diferente de conflito. Precisamos confrontar, sem, porém, entrar com conflito com as pessoas. Nossa luta não é contra as pessoas, e as nossas armas não são carnais, mas espirituais em Cristo para destruir fortalezas.

3. Promotor da paz.

a. O crente não somente tem a paz, mas a transmite a todos que estão ao seu redor.
b. Como luz do mundo, Deus nos coloca em posição de destaque (do ponto de vista espiritual), para alumiar os demais.
c. “Ao servo do Senhor”, como está escrito, “não convém discutir, mas, pelo contrário, deve ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhe conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (2 Tm 2 24,25).
d. Qual sua fama lá fora? Alguém esquentado, pavio curto, iracundo, lamuriento? Deus nos chama para sermos pacificadores (Mt 5.9).
e. Isaque era um verdadeiro pacificador, um homem de paz. Mesmo sendo prejudicado por seus vizinhos que entulharam seus poços, não brigou, mas procurou reconciliação (Gn 26. 19-25).
f. No jargão popular, ser cristão, é ter que “engolir sapos”. Por vezes, é abrir mão de seu próprio direito para poder usar de misericórdia para com o próximo.
g. Cristo é o nosso maior exemplo:

“... quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça.” — 1 Pedro 2.23

SÍNTESE DO TÓPICO I

O crente deve buscar a verdadeira paz mediante a justificação, em Cristo, pela fé.

II. INIMIZADES E CONTENDAS, AUSÊNCIA DE PAZ

1. Três tipos de inimizades.

a. No grego, a palavra inimizade é “echthra”. Esse vocábulo serve para identificar três tipos de inimizade.

1. Inimizade para com Deus (Rm 8.7): “A mentalidade da carne é inimiga de Deus...”. A inclinação da carne é hostil a Deus, não querendo se sujeitar à sua lei. Pessoas com tal natureza não podem agradar a Deus.
2. Inimizade entre as pessoas (Lc 23.12): O pastor Paulo Romeiro diz que, quando alguém está problema nos seus relacionamentos, na verdade o problema não é com o próximo, mas com Jesus. “... quem ama a Deus ame também seu irmão” (1 Jo 4.21).
3. Hostilidade entre grupos e pessoas: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades”. – Efésios 2:14-16 (AFC).

Essa “barreira da separação” pode ser aqui uma alusão à parede que separava o Pátio dos Gentios e o Pátio dos Judeus dos judeus no Templo. Uma inscrição nessa parede advertia os gentios da pena de morte, se entrassem no Pátio dos Judeus. Agora, diante de Deus, não há mais segregação e nem distinção.

2. Inimizade e soberba.

a. As inimizades são frutos da soberba. Tiago diz que aquele que quer demonstrar sabedoria, faça através do “seu bom procedimento, em humildade de sabedoria” (Tg 3.13).
b. Se, porém, tivermos em nós inveja amarga e sentimento ambicioso no coração, essa sabedoria não vem do alto, mas é terrena, animal e demoníaca, pois onde há inveja e sentimento ambicioso, aí há confusão e todo tipo de práticas nocivas (Tg 3. 14,15).
c. Deus abomina o coração altivo (Pr 6. 16,17); na igreja não pode haver disputas, antes, porém, devemos considerar os outros superiores a nós mesmos (Fp 2.3).
d. Em Cristo, somos todos iguais (Gl 3.28), pois em Deus não há parcialidade.
e. Nossa ação deve ser diferente da atitude do Diabo. Devemos imitar o Senhor Jesus, que, existindo na forma de Deus, não considerou o fato de ser igual a Deus era algo a que devesse se apegar, mas, pelo contrário, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e fazendo-se semelhante aos homens (Fp 2. 5,6,7).
f. Jesus é nosso padrão; qualquer coisa que não seja isso, a Bíblia chama de pecado, pois estaremos agindo pela carne, gerando contendas e partidarismo entre nós (1 Co 3.3).

3. Inimizade e facção.

a. Uma das obras da carne é facção; facção é o partidarismo que levanta uma bandeira e faz dela uma causa.
b. Na igreja de corinto não havia apenas dissensões (divergência de opiniões, disputas, desavenças), mas facções foram criadas para disputar qual grupo era o certo e mais forte.
c. Havia o grupo de Paulo, Apolo e o de Pedro; o pior de todos, entretanto, era o grupo que dizia ser de Cristo, pois este não aceitava autoridade humana (1 Co 1.12).
d. Certa vez, Martinho Lutero, ao se deparar com o partidarismo que se criou em torno de sua pessoa devido a reforma, muito sabiamente e no temor de Deus, usando o texto de 1 Co 3.4-5 para fundamentar sua exposição, disse:

“Em primeiro lugar, peço que não citem meu nome e não se digam luteranos, mas cristãos. O que é Lutero? Esta doutrina realmente não é minha. Eu não fui crucificado para ninguém. São Paulo, na 1º Epístola aos Coríntios (III, 4-23), não tolerava que os cristãos se dissessem discípulos de Paulo ou de Pedro, mas simplesmente cristão. Como eu, pobre envoltório de carne malcheirosa e prometida aos vermes, poderia sonhar, pois, que meu miserável nome fosse dado aos filhos de Cristo? Não, caros amigos, vamos extirpar esses nomes partidários e chamemo-nos de Cristão, pois, de Cristo nos vem a doutrina que temos.” 2

e. Tudo isso entristece o Espírito Santo, pois Jesus orou para que isso não viesse a acontecer entre os seus discípulos: “... para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti” (Jo 17.21).

SÍNTESE DO TÓPICO II

O objetivo da inimizade é destruir a unidade da igreja.

III. VIVAMOS EM PAZ

1. O favor divino.

a. Toda ética cristã se resume no que Deus fez por nós; Deus nos aceitou! Por isso, devemos aceitar o nosso irmão. Perante Deus ninguém é melhor que ninguém; todos estão no mesmo nível.
b. O gentios não devem se vangloriar em cima dos judeus pelo fato de que foram enxertados na oliveira (Rm 11.17).
c. Os judeus não deveriam desprezar os gentios pelo fato de terem sido escolhidos por Deus sem nenhuma mérito para abençoar todas as nações (Gn 12.3).
d. Portanto, em Cristo não há judeu e nem grego; todos são um – devedores a Deus e ao próximo. Deus espera que preservemos a comunhão (Sl 133.1).

2. A cruz de Cristo.

a. A cruz de Cristo é o símbolo do amor sacrifical de Deus pela humanidade.
b. Jesus foi desprezado e rejeitado pelos homens; experimentou dores e sofrimentos para que pudesse levar sobre si as nossas transgressões.
c. A paz que temos hoje com Deus só foi possível porque Ele foi castigado em nosso lugar (Is 53.5).
d. Jesus, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha que sofreu (Hb 12.2).
e. Qual a nossa resposta diante deste amor para conosco? Qual é a nossa missão?

3. A nossa missão.

a. O Senhor cumpriu o seu ministério; morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4.25).
b. Ao ascender aos céus, Cristo deixou conosco uma missão: fazer discípulos, ensinando-os a obedecer as coisas que Ele ordenou (Mt 28.19,20).
c. Se de fato o amamos, obedeceremos os seus mandamentos. Porém, não por medo, mas pela fé que opera pelo amor:

“Toda teologia se resume na graça. Toda a ética cristã surge da gratidão.” – F. F. Bruce

d. Cristo pede de nós que vivamos sem inimizades, pois Ele é o Príncipe da paz (Is 9.6). Somente Ele poderá nos dar poder para cumprir a nossa missão e a paz para desfrutarmos da comunhão de uns para com os outros.
e. Será que não poderíamos suportar sofrimentos por amor ao Nosso Senhor? O amor é sofredor (1 Co 13.7).

SÍNTESE DO TÓPICO III

Para realizar a missão de anunciar o Reino de Deus aos povos, o crente precisa viver em paz uns com os outros.

CONCLUSÃO

1. Duas paz nos é concedida quando estamos em Cristo: 1) paz com Deus e 2) paz de Deus. Ambas fazem parte do fruto do Espírito.

2. Que possamos ser reconhecidos pelo mundo – ainda que haja conflitos e embates por causa da nossa fé – como “mensageiros da paz”; não a paz do mundo, mas a aquela que somente Jesus Cristo pode oferecer. É isso que nos fará diferente e tornará a mensagem do evangelho atraente àqueles que ainda não o conhecem.


Soli Deo Gloria!
Fabio Campos


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