Você está aqui:
Ecos da liberdade no dia da consciência negra!

Por Clemildo Brunet*

Liberdade é um dos maiores tesouros que o homem possui. Porém, nos relacionamentos com outros seres existe algo que a impede, provocando ansiedade em fases distintas da existência terrena. É verdade que temos liberdade de ir e vir. Contudo, a alma humana aspira e deseja uma liberdade plena.

Paulo na carta aos romanos fala do anseio dessa liberdade quando diz: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. E contextualiza dizendo: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”. Na verdade, a liberdade, em toda sua anuência está revelada na plenitude do que Cristo disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. 
Para Schopenhauer, a ação humana não é, absolutamente, livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenômenos da natureza, até mesmo suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente Vontade.

Para Schopenhauer, o homem é capaz de acessar sua realidade por um duplo registro: o primeiro, o do fenômeno, onde todo o existente reduz-se, nesse nível, a mera representação. No nível essencial, que não deixa-se apreender pela intuição intelectual, pela experiência dos sentidos, o mundo é apreendido imediatamente como vontade, Vontade de Vida. Nesse caso, a noção de vontade assume um aspecto amplo e aberto, transformando-se no princípio motor dos eventos que sucedem-se na dimensão fenomênica segundo a lei da causalidade.

O homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre sua vontade. O homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre - é absolutamente determinado a agir segundo sua vontade particular, objetivação da vontade metafísica por trás de todos os eventos naturais. O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos. (Schopenhauer).

O conflito que se estabelece no interior do individuo pela vontade de desfrutar da liberdade que tanta almeja, oscila em seu interior devido a ordenação da lei que é espiritual, oposta ao o homem que é carnal e escravo do pecado.O Apóstolo Paulo tinha consciência disso. “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto”... Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”. 

A data 20 de novembro se comemora o Dia Nacional da Consciência negra em nosso país, em homenagem a Zumbi do quilombo dos Palmares, pois sua morte se deu nesse dia no ano de 1695.  A data foi oficializada pela Lei de n° 10.639 de 09 de janeiro 2003, no início do mandato do presidente Lula.

Zumbi um herói pela sua resistência na luta anti-escravagista. Descendente de guerreiros angolanos, foi capturado por soldados aos 7 anos de idade e entregue ao Padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Educado pelo Padre aprendeu Português e Latim, mais tarde viria a se tornar um dos famosos lideres de Palmares. 

Em 1670, aos 15 anos, Zumbi fugiu e voltou para o quilombo. Quilombos na língua banto significam “povoação”.  Palmares organizou-se não só como abrigo dos negros, para ali ocorriam também brancos pobres, índios e mestiços que eram extorquidos pelo colonizador. No quilombo dos Palmares havia o cultivo de frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes e batatas.

O quilombo palmares foi defendido no século XVII durante anos por Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugidos novamente para a escravidão. Em 1694, com uma legião de nove mil homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada que levara a derrota de Macaco, principal Povoado de Palmares. Zumbi de Palmares foi localizado vítima de traição de um companheiro que o delatou e foi morto, tendo o corpo perfurado por balas e punhaladas, foi levado ao Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para o Recife onde, foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo.

O Dia da Nacional da Consciência Negra é dedicado a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A Lei que estabeleceu a data de 20 de novembro, também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, e o negro na formação nacional, bem como, propiciar o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da nossa história.

Salve 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra!

Pombal, 20/11/2016.

*Radialista e escritor
Contato: brunetco@hotmail.com
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com 
Bibliografia – Amélia Hamze. FEB/CETEC ISEB/FISO – Barretos. Wikipédia, a enciclopédia livre.


Comentários

Aviso: Todo e qualquer comentário publicado na Internet através do Repórter PB, não reflete a opinião deste Portal.