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Museu no Rio inaugura exposições sobre influência francesa na arte brasileira

Divida em módulos, a mostra enfoca artistas brasileiros que, depois de premiados, puderam aprimorar sua obra em instituições acadêmicas de prestígio na França

O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) inaugurou neste 14 de julho, festa nacional francesa quando é comemorada a queda da Bastilha, duas novas exposições que remetem à longa história de laços culturais entre o Brasil e a França. A homenagem não foi por acaso: além das duas mostras terem apoio do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, a coleção bicentenária se originou em parte das obras trazidas ao Brasil ou produzidas aqui pela Missão Artística chefiada na primeira metade do século 19 por Joachim Lebreton e integrada por nomes como Grandjean de Montigny, Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay.

Foi essa missão que serviu de inspiração para uma das exposições, a do fotógrafo paulista André Penteado. De fevereiro de 2015 até janeiro deste ano, ele fotografou o Rio de Janeiro para o segundo livro da trilogia Rastros, Traços e Vestígios, lançado em maio. Missão Francesa busca relacionar passado e presente a partir do papel exercido pelos franceses na formação de artes no Brasil.

As imagens documentam locais emblemáticos como o próprio MNBA, o Museu D. João VI, no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, e o Solar Grandjean de Montigny, na Gávea, além da personificação do que esse processo representou, por meio de retratos de alunos e professores da Escola de Belas Artes, de descendentes de Nicolas-Antoine Taunay e desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos.

São ao todo 33 fotografias que resumem as discussões levantadas no livro. “Escolhi temas que considero relevantes na história do país e que são anteriores à invenção da fotografia, logo não possuem iconografia fotográfica de época”, explica Penteado.

Para Penteado, existe um paralelo entre o trabalho do fotógrafo e o do historiador. “Se tanto a fotografia quanto a historiografia partem da realidade, é possível dizer que ambas são o resultado de decisões ideológicas daqueles que as criam”, diz.

Em cada livro da trilogia, o artista incluiu textos historiográficos selecionados. Entre eles, a reprodução, em tamanho maior do que o original, de uma carta do líder da Missão, Joachim Lebreton, traduzida pelo historiador Mário Barata, para a edição de 1959 da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico e Histórico Nacional.

Vivência francesa contemporânea

A outra exposição aberta hoje no MNBA, Diálogos Contemporâneos, aborda a importância da vivência francesa na formação de artistas brasileiros modernos e contemporâneos. A mostra reúne cerca de 100 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, que se situam entre os anos de 1920 até o período atual, espelhando alguns ângulos da influência que o ambiente artístico francês exerceu sobre esses artistas.

A exposição é um recorte do vasto acervo do museu e tem curadoria de Claudia Saldanha e da pesquisadora e diretora do MNBA, Monica Xexéo. Entre outros artistas, podem ser vistas obras de nomes como Cândido Portinari, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Flavio Shiró, Antonio Bandeira, Gonçalo Ivo, Luiz Áquila e Maria Leontina.

Divida em módulos, a mostra enfoca artistas brasileiros que, depois de premiados, puderam aprimorar sua obra em instituições acadêmicas de prestígio na França. E também, por outro lado, apresenta o olhar de artistas estrangeiros que, antes de aportarem no Brasil, sofreram influência francesa, fundamental para a transformação da estética por aqui.

A exposição Missão Francesa, do fotógrafo André Penteado, fica em cartaz até 10 de setembro, e a mostra Diálogos Contemporâneos terá uma duração um pouco maior, até 15 de outubro. Ambas podem ser visitadas de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h.

Os ingressos custam R$ 8, a inteira, e R$ 4, a meia entrada. Há ainda o ingresso família (para quatro membros de uma mesma família), a R$ 8. Aos domingos, e excepcionalmente neste fim de semana, a entrada é franca.

O Museu Nacional de Belas Artes, vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Ministério da Cultura, fica na Avenida Rio Branco, 199, no centro do Rio.


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