Por Chico Pinto

O remédio para um "doido é outro doido na porta", elementar conceito dito nos cafezinhos e nas meses de bares lá no meu Sertão, geralmente quando se refere a alguém metido a valentão e embusteiro.

E tudo Indica que, na prática, trata-se realmente de um excelente conceito.

Basta que se observe e preste bem atenção que é baseado, através deste formato, que o presidente Bolsonaro vem agindo, dando uma de "doido" quando se sente "acuado" e até mesmo ameaçado por alguém pertencente a outros poderes ou até mesmo a outros grupos antagônicos.

Só pra exemplificar o meu raciocínio cito alguns poucos exemplos: a visita surpresa acompanhado de empresários, sem qualquer agenda, ao ministro Dias Tóffili, do STF, deixando-o desconcertado e atônito; mais recentemente, ao procurador Augusto Aras, da PGR, num momento impróprio e em pleno período de ações do Ministério Público contra membros do governo; afora o "quiproquó" com Rodrigo Maia, da Câmara Federal; governadores do Sul e do Nordeste; com o ex-ministro Sérgio Moro e, de forma mais acintosa, com a imprensa  e mais ainda  com o Grupo Globo, Folha de São Paulo, Estadão e com o Antagonista, órgãos de imprensa, que apesar das suas preferências, têm o direito de publicar aquilo que lhes convier, garantido pelo direito da informação.  Acreditar ou não neles é outros quinhentos, e cabe unicamente ao leitor. Ao se sentir agredido processo, neles!..

Sentiu-se acuado, o governo, põe as pedras no "bisaco" e sai jogando-as pra todos os lados.

É esta a forma encontrada por Bolsonaro e seguidores, pra  tentarem calar ou inibir estes setores, que podem e tem certa força para irem de encontro às suas pretensões.

Concordo que, às vezes,
 de forma injusta e até  mesmo com interesses maldosos e espertezas.
O nó "cego" está na maneira arrogante, prepotente e mal educada, algo que um verdadeiro estadista jamais deverá cometer, sob pena de não fazer jús ao cargo que ocupa.
So para clarear!

Já mandou jornalistas "calarem a boca", em plena entrevista; ameaçou não cumprir ordens do STF, bateu boca com o Congresso, com Ministros do STF do STJ,  governadores e com o "escambal", geralmente com quem tentar ir de encontro aos seus interessses.

É dar uma de "doido" pra cima dele que o seu "estilingue", às vezes, sem pontaria certeira, atinge à nação inteira de forma brusca e antidemocrática.
O homem gosta tanto de confusão, que esquece de apresentar aquilo de bom que o seu governo tem feito.  Exemplo: as obras estruturantes comandadas  pelo ministro Tarcísio de Freitas, que merecem o aplauso da nação, mais de um ano e meio sem escândalos no seu governo, entre outras ações.

Em vez disso, dar mais importância aos "bafafás" da Damares, do Heleno, do "Vantraube", o doidim que comanda a educação e, mais ainda, da turma do gabinete comandado pelo "doidão" Carlos  Bolsonaro, o Zero 02.

Este sim, o maior atirador de pedras que o Brasil conhece.

E, agora, mais recentemente, por simples ato de esperteza, por temer um "impicha" no Congresso parou as pedradas, e travou um obscuro e tenebroso namoro com o Centrão, aqueles mesmo caras que ele prometeu distância durante a campanha, por se tratar de um grupo comprovadamente desonesto e fisiológico.

Melhor dizendo, e é bom que não saia da memória do eleitor, acaba de aceitar este acordão, descumprindo um compromisso de campanha o que o leva a cometer, descaradamente, um crime de estelionato eleitoral.

Eu mesmo votei e fiz campanha pro Bolsonaro por acreditar nas suas palavras e nesses seus propósitos. Outro fato que também merece ser observado,  é o seu descuido e inexpressiva atenção a todos os projetos existentes no congresso, que permitem que o poder público fiscalizador, tenha as armas capazes de combater e por na cadeia os ladrões do colarinho branco, os achacadores do dinheiro publico.

Exemplo: prisão após condenação em segunda instância, retirada do Coaf do Minusterio da Justiça, entre tantos outros.

Estes sim, foram os principais e reais motivos do pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro, um ícone da nação no combate ao roubo do dinheiro público. Um jurista corajoso e digno de orgulho da nação brasileira.

Basta recordar do Petrolão, para que vá para o panteão da história recente do Brasil.

Chegamos à realidade que a nação, além da pandemia, se vê obrigada a conviver num real  hospício com loucos, que atiram pedras pra tudo que é lugar, acertando muitas das vezes, naquilo que é mais sagrado numa democracia, que é a sua Constituição.

Levando ao pé da letra o adágio, que o melhor "remédio para um doido é outro doido na porta", falta ao governo encontrar uma forma de doideira capaz de conduzir o país de maneira harmoniosa, principalmente agora,  quando vivemos num momento difícil e preocupante, com milhares de mortos espalhados pelo pais inteiro, na maioria das vezes,  pela falta de uma assistência apropriada, de vagas nos hospitais e de equipamentos dignos para salvar vidas.


Além disso, falta aquele verdadeiro "doido", com muitas pedras e coragem, para partir pra cima daqueles governantes ladrões, que se aproveitam do caos provocados pela pandemia, para roubar os bilhões que já foram tirados dos cofres públicos, e enviados para que estados e municípios, gastem da forma mais desonesta e degradante possível; sem fiscalização ou algo do gênero.

Vale tambem salientar, que por falta de uma programação técnica e científica o que se propala nos órgãos de comunicação e pela comunidade médica, é que o país teve tempo suficiente e não se preparou para se combater à pandemia em tempo hábil. Daí é que advêm o tenebroso caos.

É bom lembrar, também, que dois ministros da Saúde, deixaram o governo no auge da pandemia, e o Ministério, ainda se encontra sob o comando de um general sem qualquer formação médica e funcionando de forma improvisada.

Finalmente, nos encontramos numa situação atípica: com hospitais lotados, cadeias e hospícios vazios, e o que é pior, obrigados por força de decretos fajutos impostos por governadores e prefeitos, a ficarmos em casa, sem direito de ir e vir, comércio lacrado, desemprego aumentando, a fome campeando, enquanto que a bandalheira faz morada nos gabinetes e nos conchavos palacianos.

Precisamos de mais doidos,  com um pouquinho só de juízo nas horas certas, para que se evite que o nosso país venha a cair na armadilha de outros doidos, capazes de implantarem um modelo de excessão e antidemocrático.

Talvez, quem sabe, uma ditadura oportunista e impratriota.

Este filme já vimos e está na memória da nossa geração.

Não vale apena arriscar!..
Aconselho que guarde bem as suas pedras,  e não se esqueça de ter por perto o seu vidrinho de Gardenal!..