
28/09/2026 às 11:47
A 2ª edição da Feagros 2026, realizada em Sousa, reuniu produtores, estudantes, profissionais e público interessado no agronegócio, com atividades voltadas à produção rural, gastronomia e valorização dos produtos regionais. Entre os temas apresentados durante o evento esteve o leite de cabra e seus derivados, com participação da professora do IFPB, Tatiana Gouveia Pinto, em entrevista ao Portal REPORTERPB.
Durante a conversa, Tatiana destacou que o consumo do leite de cabra ainda enfrenta resistência por parte de algumas pessoas, principalmente pela diferença de sabor em relação ao leite de vaca. Segundo ela, existe uma necessidade de ampliar a divulgação sobre as características nutricionais e as possibilidades de utilização do produto.
A professora lembrou que o leite de cabra faz parte da cultura nordestina e relatou experiências de famílias que utilizaram o produto na alimentação de crianças. Ela defendeu que a população conheça melhor o alimento antes de associar a diferença de sabor à qualidade.
Entre os aspectos citados por Tatiana estão a maior quantidade de cálcio, a digestibilidade, a composição da gordura e a sensação de saciedade. Para ela, o objetivo é mostrar que o leite de cabra não é necessariamente melhor ou pior por ter sabor diferente, mas possui características próprias que precisam ser conhecidas.
“A gente precisa só entender que ele tem muita saúde, ele traz muitos nutrientes, traz maior digestibilidade e traz maior saciedade. A gente tomando leite de cabra, a gente fica mais saciado e mais saudável. Por isso ele é diferente, não é ruim, ele é só diferente.”
Tatiana também apontou o potencial da caprinocultura como alternativa de geração de renda para pequenos agricultores. Segundo ela, os animais podem ser criados em espaços menores e apresentam uma capacidade de multiplicação do rebanho que pode favorecer a expansão da atividade.
A professora citou ainda a possibilidade de integrar a criação de caprinos a outras culturas agrícolas, como o coco. Nesse modelo, os animais poderiam aproveitar a vegetação existente sob os coqueiros, contribuindo para o manejo da área e para a produção de leite.
Ela avalia que Sousa e o Sertão paraibano possuem condições para ampliar a atividade, com possibilidade de produção de leite e derivados, como queijos, iogurtes e outros produtos.
A professora também apresentou experiências desenvolvidas no IFPB, envolvendo atividades de pesquisa e formação de estudantes. Segundo Tatiana, a instituição já realizou trabalhos experimentais com cabras, incluindo estudos relacionados à alimentação e nutrição.
O leite produzido durante essas atividades foi utilizado pela agroindústria para capacitação dos alunos, que aprenderam a elaborar queijos temperados, iogurtes e manteiga da terra com leite de cabra.
Para Tatiana, o investimento em ciência e formação profissional pode contribuir diretamente para o desenvolvimento dos arranjos produtivos locais.
“Investir na ciência é importante porque a gente capacita os nossos alunos e traz conhecimento para a população.”
A professora também defendeu a possibilidade de ampliação da estrutura para estudos específicos de caprinocultura. Segundo ela, o IFPB poderia avançar nesse campo com investimentos que permitam a criação de um espaço destinado à pesquisa e experimentação com caprinos.
A discussão ocorreu durante a Feagros, evento realizado pela Prefeitura de Sousa, por meio da Secretaria de Agricultura, em parceria com instituições como Sebrae, Governo da Paraíba e Senai. A programação reuniu atividades de capacitação, exposição de animais, gastronomia, produtos regionais e atrações culturais.
A edição de 2026 foi marcada, segundo a organização, por grande participação do público e dos setores ligados ao agronegócio.
Para além da programação, a presença de temas relacionados ao leite de cabra, à caprinocultura e à ovinocultura colocou em evidência possibilidades de diversificação da produção rural no Sertão. Na avaliação apresentada pela professora Tatiana, conhecer melhor os produtos e investir em formação e pesquisa pode contribuir para que pequenos produtores encontrem novas alternativas de renda.
O IFPB também mantém as portas abertas, segundo Tatiana, para produtores e interessados que desejem buscar informações e conhecimento sobre essas atividades.
“O IFPB está sempre de portas abertas para atender a nossa população e trazer mais conhecimento, para que eles possam, além de se capacitar, também capacitar seus filhos para que eles possam desenvolver a sua região nos arranjos produtivos locais.”
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Fonte: Repórter PB
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