
07/10/2026 às 19:55
O Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) alerta a população para o aumento no número de atendimentos decorrentes de agressões por animais potencialmente transmissores da raiva e reforça os cuidados que devem ser adotados em situações de mordidas, arranhões ou outras formas de exposição. De janeiro a 5 de outubro deste ano, foram registradas 16.417 notificações no estado, contra 15.604 no mesmo período de 2025, um crescimento de 5,2%. Diante do cenário, a SES-PB divulgou, nessa terça-feira (6), a Nota Informativa nº 14/2026, com orientações para o atendimento antirrábico e a relação dos serviços de referência para administração do soro na Paraíba.
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda que acomete mamíferos e pode ser transmitida ao ser humano por meio de mordeduras, arranhaduras e lambeduras de animais infectados. A doença atinge o sistema nervoso e apresenta letalidade próxima de 100%, o que torna fundamental a adoção das medidas preventivas logo após uma possível exposição ao vírus. Além de cães e gatos, animais silvestres, como morcegos, raposas e primatas, e animais de produção, a exemplo de bovinos, equinos, suínos e caprinos, também podem participar dos ciclos de transmissão.
Os dados representam 813 notificações a mais em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Em todo o ano de 2025, foram registrados 20.228 atendimentos antirrábicos. As 1ª, 6ª e 16ª Regiões de Saúde concentram os maiores números de notificações nos dois períodos analisados. Em relação ao perfil das pessoas atendidas, há predominância do sexo masculino: até 5 de outubro deste ano, foram 8.535 registros entre homens e 7.880 entre mulheres.
De acordo com o chefe da Área Técnica do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES-PB, Assis Azevedo, uma das principais orientações é não subestimar a agressão, mesmo quando o ferimento aparenta ser pequeno. “A pessoa deve lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar um serviço de saúde para que seja feita a avaliação do risco. É essa avaliação que vai considerar o animal envolvido, o tipo de exposição e as características da lesão para definir a conduta adequada. Nem toda agressão vai ter indicação de soro ou vacina, mas é importante que todo caso seja avaliado por um profissional de saúde e que essa procura não seja adiada”, explicou.
No serviço de saúde, além da avaliação do ferimento, são consideradas a espécie do animal, sua condição clínica, a possibilidade de mantê-lo em observação e, quando necessário, a disponibilidade para diagnóstico laboratorial. Nos acidentes envolvendo cães e gatos que possam ser acompanhados, o animal deve permanecer em observação por 10 dias. Se permanecer vivo e saudável durante todo esse período, a conduta poderá ser encerrada conforme avaliação do serviço. Caso morra, desapareça ou apresente sinais compatíveis com a raiva, a profilaxia deverá ser reavaliada.
Nos acidentes envolvendo morcegos e outros mamíferos silvestres, a exposição é considerada de alto risco e requer avaliação imediata para início da profilaxia pós-exposição. Nesses casos, a orientação é não capturar ou manipular o animal. Ao encontrar morcegos ou outros animais silvestres dentro de casa, especialmente caídos, mortos ou apresentando comportamento anormal, a população deve acionar o serviço municipal responsável pelo controle de zoonoses.
Quando indicada, a profilaxia pós-exposição tem o objetivo de impedir que o vírus alcance o sistema nervoso central e pode envolver a utilização da vacina antirrábica, associada ou não ao soro antirrábico ou à imunoglobulina humana antirrábica. O esquema de vacinação recomendado atualmente é de quatro doses, aplicadas nos dias 0, 3, 7 e 14. A vacinação deve ser iniciada o mais rapidamente possível quando houver indicação e não deve ser adiada caso o soro esteja temporariamente indisponível.
O soro antirrábico e a imunoglobulina humana antirrábica são utilizados para fornecer anticorpos capazes de neutralizar o vírus no local da exposição enquanto a resposta imunológica provocada pela vacina é estabelecida. Quando houver indicação, devem ser administrados o mais precocemente possível, preferencialmente no primeiro atendimento e, conforme as orientações vigentes, no máximo até sete dias após a aplicação da primeira dose da vacina.
Além da procura imediata pelo atendimento após uma agressão, a SES-PB orienta manter cães e gatos vacinados contra a raiva sob supervisão, utilizar coleira e guia durante os passeios e evitar contato com animais desconhecidos, feridos, doentes ou que apresentem comportamento incomum. A população também não deve tocar, capturar, manipular ou alimentar animais silvestres
Referência para o soro na Paraíba
Na Paraíba, a rede de referência para administração do soro está distribuída pelas três macrorregiões de saúde. Em João Pessoa, são referências o Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho, em Tambiá, pelo telefone (83) 3211-7175, e o Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), em Jaguaribe, pelo (83) 3218-5779. Em Campina Grande, o serviço está disponível no Hospital Regional de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, nas Malvinas, pelo telefone (83) 3310-5850, e, em Monteiro, no Hospital e Maternidade Santa Filomena, pelo (83) 3351-2204.
No Sertão, são referências o Hospital Regional Deputado Janduhy Carneiro, em Patos, pelo telefone (83) 3423-2762; o Hospital Deputado Manoel Gonçalves de Abrantes, em Sousa, pelo (83) 3522-2774; e o Hospital Regional de Cajazeiras, pelos telefones (83) 3531-3563 e (83) 3531-2736.
A orientação, no entanto, é que a pessoa agredida procure inicialmente um serviço de saúde para avaliação. Quando houver indicação do soro ou da imunoglobulina e o imunobiológico não estiver disponível no local do primeiro atendimento, a própria unidade deverá realizar o encaminhamento para um dos serviços de referência.
Fonte: Secom
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