
“Nós fizemos uma atividade anteriormente com profissionais da educação e agora seguimos com os profissionais de saúde. Repassamos orientações sobre a prevenção e os males causados pelo cigarro. Além disso, apresentamos o Programa Saber Saúde do Instituto Nacional do Câncer, que vem para somar às ações do PSE”, comentou a chefe do NDants, Gerlane Carvalho.
Durante a palestra, o pneumologista da SES, Sebastião Costa, pontuou que 34% dos brasileiros acima de 18 anos eram tabagistas no início dos anos 90. De acordo com ele, a situação foi revertida a partir da mudança de mentalidade estimulada pelos programas de combate. De 34% baixou para 11%, com base em pesquisas do Ministério da Saúde.
“É exatamente por isso que queremos trabalhar a consciência de crianças e adolescentes que ainda têm o achismo de que fumar está conectado com charme e liberdade. De cada 10 pessoas que começam a fumar atualmente, nove estão na faixa de 12 a 18 anos. Essas capacitações que fazemos com profissionais de saúde servem como forma de qualificá-los e, consequentemente, para que sejam multiplicadores das informações”, explicou o pneumologista.
Já para o adulto que fuma e deseja parar, o médico alertou que existem em João Pessoa centros de saúde (Mandacaru, Rangel, Mangabeira, Cristo e Jaguaribe) que oferecem gratuitamente tratamento, consultas e medicamentos.
“Antigamente, a pessoa que queria parar de fumar só dependia da sua força de vontade. Hoje, qualquer fumante pode deixar o vício, é só tomar a decisão e, se não consegue sozinho, que busque ajuda. Essa troca de experiência com profissionais de saúde e grupos de fumantes que estão no mesmo caminho é essencial, porque o vício está vinculado à dependência psicossocial (solidão, depressão, stress, preocupações)”, ressaltou.
Programa Saber Saúde (Inca) – O Programa Saber Saúde de Prevenção do Tabagismo e de Outros Fatores de Risco de Doenças Crônicas, implantado no Brasil desde 1998 e gerenciado pelo Inca, por meio da Coordenação de Prevenção e Vigilância, em sua Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco, tem como objetivo geral formar cidadãos críticos, capazes de decidir sobre a adoção de comportamentos saudáveis, dentro de uma concepção mais ampla de saúde e que contribuam para a saúde coletiva e a do meio ambiente, na busca de melhor qualidade de vida.
O Programa Saber Saúde forma profissionais da Educação e da Saúde para trabalharem conteúdos relacionados à promoção da saúde com crianças, adolescentes e jovens brasileiros dentro das escolas. Nesse sentido, apresenta informações de base científica que auxiliam na abordagem do tema tabagismo e outros fatores de risco à comunidade escolar e local.
Tratamento – Na Paraíba, 90 municípios desenvolveram o Programa de Controle do Tabagismo na atenção básica de saúde nos últimos meses, no qual se pode buscar apoio para se livrar do vício provocado pela nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família (USF); Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais); e Centros de Saúde. Em alguns casos, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento.
“Em muitos casos, o uso de medicamentos é indicado, mas a mudança de comportamento é o principal fator a se observar. Levar uma rotina saudável, com alimentação balanceada e prática de exercícios físicos, além de trocar experiências com profissionais capacitados e outros pacientes ajuda muito”, ressaltou Gerlane Carvalho.
Referência – Os hospitais de referência no Estado para combate aos tipos de câncer relacionados ao uso do tabaco – pulmão, esôfago e laringe – são o Napoleão Laureano e Hospital São Vicente de Paula, em João Pessoa; Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba (Fap) e Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande.
Dados – De acordo com a base de cálculo do Ministério da Saúde, estima-se que em 2018 cerca de 11,5% da população paraibana é formada por fumantes, um total de 465.826 pessoas. Na capital, existem 92.197 fumantes.
Quanto aos óbitos por câncer de pulmão, a maioria provocada pelo cigarro, em 2018, já foram registrados 214 no estado; ano passado (2017), foram 436 óbitos no estado. Já em 2016, foram 405 mortes, na Paraíba.
A nicotina, presente no cigarro, causa dependência e age na região do cérebro relacionada com o prazer. Além das alterações físicas, emocionais e comportamentais, cerca de 50 doenças graves estão relacionadas ao tabaco, entre elas: câncer de pulmão, boca, laringe, estômago; leucemia; infarto; bronquite; infecções respiratórias; trombose vascular. A fumaça do cigarro tem mais de 4600 substâncias, entre elas 40 são cancerígenas. A doença mais intimamente relacionada ao tabagismo é o câncer de pulmão (80% dos pacientes com câncer de pulmão são tabagistas).