O Ministério Público Eleitoral questionou a validade de pelo menos 42 candidaturas nas eleições de 2026, distribuídas em dez estados brasileiros, por suspeitas de envolvimento com organizações criminosas. Entre os casos identificados, quatro são da Paraíba.

Segundo o levantamento divulgado pelo órgão, 22 candidaturas tiveram o registro negado pela Justiça Eleitoral ou foram retiradas pelos próprios candidatos. Parte dos processos ainda depende de julgamento de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Rio de Janeiro concentra o maior número de questionamentos, com 26 casos, seguido pela Paraíba, com quatro, e São Paulo, com três. As demais ocorrências estão distribuídas entre Acre, Mato Grosso do Sul, Amapá, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Norte.

A maioria dos candidatos disputou vagas para deputado estadual, com 22 registros questionados, e deputado federal, com 16. Também há processos envolvendo candidaturas ao Senado, suplências e governos estaduais.

De acordo com o MP Eleitoral, a atuação busca impedir que organizações criminosas utilizem estruturas partidárias e campanhas eleitorais para ampliar sua influência política.

O órgão fundamenta os questionamentos no artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe a utilização de organizações paramilitares por partidos políticos.

Entre os casos analisados estão candidatos que receberam votos suficientes para conquistar vagas, mas permanecem com a situação eleitoral indefinida em razão de recursos judiciais.

Para reforçar o enfrentamento à influência do crime organizado nas eleições, o Ministério Público criou um grupo de trabalho especializado e recomendou aos partidos a adoção de mecanismos internos de fiscalização e integridade na escolha de candidatos.

Os questionamentos apresentados pelo MP Eleitoral não representam, por si só, condenação criminal ou comprovação definitiva de vínculo com organizações criminosas.