
“Estudem as correntes de comércio e como aumentá-las, mas estudem também as correntes de pensamento. O mundo é um grande fluxo de bens e mercadorias, mas também é cada vez mais um grande fluxo de ideias, e são as ideias que determinarão as estruturas do poder político e econômico no futuro”, disse.
Bolsonaro pediu ainda que os novos diplomatas tenham humildade de reconhecer as limitações do Brasil e ousadia para trabalhar a fim de superá-las. “Busquem compreender o Brasil e defendê-lo e não permitam que nosso país seja definido de fora, com base em conceitos e interesses alheios”, orientou.
O Ministério das Relações Exteriores celebra nesta sexta-feira o Dia do Diplomata, quando relembra o nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira.
O presidente afirmou ainda que o governo manterá o concurso público anual que seleciona alunos para o Instituto Rio Branco, órgão de formação de diplomatas do ministério. A turma 2017-2019 do Instituto Rio Branco é composta de 30 diplomatas brasileiros, aos quais se somam sete diplomatas da Argentina, Cazaquistão, Guiné Bissau, Japão, Moçambique e Timor-Leste.
A patrona escolhida pela turma é Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, conhecida como o “Anjo de Hamburgo”, por ter salvado a vida de dezenas de judeus, aprovando seus pedidos de visto ao Brasil, durante a 2ª Guerra Mundial. Por seu gesto de humanidade, Aracy foi reconhecida como “Justa entre as Nações”, título conferido pelo Museu do Holocausto, em Jerusalém, aos não judeus que arriscaram a vida na segunda guerra. Seu nome figura ao lado de Oskar Schindler e do embaixador do Brasil em Paris no período de 1922 a 1943, Luiz Martins de Souza Dantas.
“Sigam o exemplo da patrona de vocês, Aracy Guimarães, que foi além de dever burocrático e assumiu seu dever moral, salvando centenas de judeus da morte do Holocausto, movida por seus valores profundos e não por regras abstratas. Mostrou que aqueles que fazem a política externa precisam olhar o ser humano em sua realidade concreta”, disse o presidente Bolsonaro aos formandos.
A paraninfa da turma é a embaixadora Eugênia Barthelmess, atual diretora do Departamento de América do Sul do Itamaraty. Em seus 30 anos de serviço ao Brasil, Eugênia serviu na missão do Brasil junto à Organização dos Estados Americanos em Washington, na embaixada em Quito e na missão do Brasil junto à União Europeia em Bruxelas.
Venezuela
Em seu discurso aos formandos, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que a política externa brasileira ajudou "de maneira decisiva a criar uma marcha irreversível rumo à democracia na Venezuela e na região".
Ele lembrou que o Brasil participa do esforço diplomático do Grupo de Lima, que volta a se reunir hoje, na capital peruana, para discutir os desdobramentos da crise política venezuelana. "O mundo todo tem hoje os olhos postos na Venezuela, porque ali se dá um combate entre a democracia e a opressão, entre a verdade e o cinismo", afirmou o chanceler.
O Grupo de Lima divulgou nota na terça-feira (30) pedindo que as Forças Armadas venezuelanas apoiem Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e autoproclamado presidente interino do país. A Venezuela vive dias de conflitos nas ruas após Guaidó convocar protestos contra o atual presidente Nicolás Maduro.
O Grupo de Lima é formado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela.
O presidente Jair Bolsonaro também comentou a situação no país vizinho e reafirmou que há fissuras nas patentes mais baixas do Exército venezuelano, que ele espera que subam para os altos escalões dos generais. “Se não enfraquecer o Exército da Venezuela, o Maduro não cai”, disse. “Não temos o que conversar com ele [Maduro], o que nós queremos, no meu entender, ele não vai ceder.”
Bolsonaro mostrou ainda preocupação com o futuro político da Argentina. “Além da Venezuela, a preocupação de todos nós deve voltar-se um pouco mais ao sul, para a Argentina, para quem poderá voltar a comandar aquele país. Não queremos, acho que o mundo todo não quer, uma outra Venezuela mais ao sul do nosso continente”, disse.
A ex-presidente Cristina Kirchner lidera as pesquisas para as eleições na Argentina deste ano, à frente do atual presidente Mauricio Macri.
Ordem de Rio Branco
Além da formatura dos novos diplomatas, Bolsonaro participa da imposição de insígnias da Ordem de Rio Branco, que reconhece a atuação de brasileiros e estrangeiros nas mais diversas áreas. Entre os agraciados em diversas ordens estão governadores, parlamentares, ministros e militares.
O vice-presidente Hamilton Mourão, os ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o escritor Olavo de Carvalho foram admitidos no quadro suplementar da Ordem de Rio Branco em seu grau mais alto, o Grã-Cruz.
Instituída em 1963, a condecoração é dividida em dois quadros: ordinário, composto por diplomatas da ativa; e suplementar, que reúne diplomatas aposentados, pessoas físicas e jurídicas nacionais ou estrangeiras. A Ordem de Rio Branco tem cinco graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, além de uma Medalha anexa. Seu conselho é constituído pelo Presidente da República, Grão-Mestre da Ordem; pelo ministro das Relações Exteriores, chanceler da Ordem, pelos chefes das Casas Civil e Militar da Presidência da República e pelo secretário-geral do ministério.
A lista dos condecorados hoje foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Agência Brasil.