O ex-governador da Paraíba e deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT) esteve em uma delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), na noite desta segunda-feira (2), para prestar esclarecimentos sobre uma ocorrência registrada nas proximidades da Vila Olímpica de Santa Maria, em Brasília.

O episódio começou após relatos de que um homem, no interior de um veículo estacionado nas proximidades do complexo esportivo, estaria acionando as luzes do automóvel e fazendo gestos em direção a crianças que participavam de atividades na região.

Segundo informações constantes no boletim de ocorrência, uma testemunha relatou ter tomado conhecimento da situação por meio de um adolescente, que teria observado as luzes do carro piscando. O jovem também teria mencionado gestos feitos com as mãos pelo ocupante do veículo.

Diante da situação, a Polícia Militar foi acionada e o caso encaminhado para esclarecimentos.

Ex-governador explica o ocorrido

Em depoimento, Ricardo Coutinho afirmou que havia levado o enteado para uma atividade esportiva na Vila Olímpica.

De acordo com sua versão, enquanto estava no estacionamento, procurava um papel dentro do automóvel e, ao utilizar o controle para travar o veículo, as luzes de sinalização foram acionadas.

Posteriormente, o ex-governador entrou no ginásio e se sentou na arquibancada, onde teria sido abordado por um adolescente que questionou o motivo de as luzes do carro estarem piscando.

Ricardo relatou ter ficado preocupado com a abordagem, interpretando a situação como uma possível tentativa de intimidação. Ao deixar o ginásio, encontrou outras pessoas que também passaram a questioná-lo.

Defesa nega prisão e aponta suposta extorsão

Nesta terça-feira (3), a defesa de Ricardo Coutinho divulgou uma nota contestando publicações que associaram o episódio a uma suposta prisão por suspeita de aliciamento de crianças.

O advogado Igor Suassuna de Vasconcelos classificou essas informações como falsas e afirmou que o ex-governador teria sido vítima de ameaças e de uma tentativa de extorsão.

Segundo a defesa, Ricardo acionou a Polícia Militar por iniciativa própria, temendo pela segurança dele e do enteado.

O advogado apresentou o registro COPOM 20261102191828-630-OC, que, conforme a nota, comprovaria a solicitação de atendimento policial feita pelo ex-governador.

Ainda de acordo com a defesa, Ricardo compareceu à delegacia, prestou esclarecimentos e foi liberado, seguindo posteriormente para sua residência com a família.

O representante jurídico informou que pretende adotar medidas judiciais contra os responsáveis pela divulgação de informações que considera falsas e ofensivas à reputação do ex-governador.

Caso permanece sob investigação

A ocorrência segue em apuração pela Polícia Civil do Distrito Federal.

Até o momento, as informações apresentadas não permitem concluir que tenha ocorrido aliciamento de menores ou tentativa de extorsão. As duas situações aparecem nos relatos relacionados ao episódio, mas dependem de esclarecimento pelas autoridades competentes.

Também não há confirmação de prisão de Ricardo Coutinho. A defesa afirma que o ex-governador apenas prestou depoimento e deixou a delegacia.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem, a origem dos relatos e a conduta das pessoas envolvidas.