A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (13) rejeitar o pedido da defesa do padre Egídio de Carvalho, que buscava suspender um dos processos envolvendo o escândalo de desvio de recursos milionários do Hospital Padre Zé, em João Pessoa.

A defesa do padre Egídio argumentou que teve dificuldades para obter acesso aos dados disponibilizados pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado, do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Segundo o recurso, a equipe de defesa tentou copiar os arquivos, mas não obteve sucesso. "A defesa diligenciou no sentido de realizar cópia dos arquivos, não obtendo êxito, sendo informado ao juízo tal dificuldade para cópia dos arquivos” (fl. 9, e-doc. 1), afirmou a defesa no documento.

No entanto, a ministra Cármen Lúcia não acatou o pedido da defesa. Ela ressaltou que outras partes envolvidas no processo, como as defesas de Jannyne e Amanda, conseguiram espelhar parte do material depositado em cartório. “A despeito de reconhecer a importância do pleito defensivo, ressalvo que a defesa de Jannyne e Amanda noticiou em audiência ter conseguido espelhar parte do material depositado em cartório, causando estranheza que apenas a defesa de Egidio Neto não tenha conseguido”, destacou a ministra.

Cármen Lúcia também afirmou que não há indícios de que a autoridade ministerial tenha restringido o acesso ao disco rígido fornecido ao juízo processante. “Não se demonstra, na espécie, que a autoridade ministerial reclamada tenha restringido o acesso ao disco rígido (hard disk – HD) por ela fornecido ao juízo processante. O juízo assentou que as corrés tiveram acesso, ainda que parcial, aos dados, e foi determinada a realização de diligências para viabilização do espelhamento dos dados à defesa do reclamante”, explicou.

Diante dos fatos apresentados, a ministra decidiu: “Pelo exposto, nego seguimento à presente reclamação (§ 1º do art. 21 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal), prejudicada a medida liminar requerida. A negativa de seguimento à presente reclamação impediu a triangulação da relação processual, pelo que incabível a intimação eletrônica do beneficiário da decisão reclamada”.

Continuidade do Processo

Com a decisão, o processo contra o padre Egídio de Carvalho, que envolve graves acusações de desvio de recursos do Hospital Padre Zé, seguirá seu curso normal. A decisão sublinha a importância da transparência e do acesso adequado aos dados no âmbito da justiça, garantindo que todas as partes tenham oportunidades equitativas de defesa.