A Câmara Municipal de Marizópolis rejeitou, em votação realizada nesta quinta-feira (18), o Projeto de Lei nº 012/2025, de autoria do prefeito Lucas Braga, que autorizava o Poder Executivo a contratar operação de crédito de até R$ 3,5 milhões junto à Caixa Econômica Federal. O recurso seria destinado à implantação de uma usina de energia solar, ampliação da iluminação pública e aquisição de uma casa de apoio em João Pessoa.
O projeto foi encaminhado em regime de urgência, mas encontrou resistência da bancada de oposição, liderada pelo vereador Carlos José, que apresentou requerimento cobrando mais transparência sobre os custos e impactos do empréstimo.
Em sua justificativa, Carlos José afirmou que a proposta não trazia informações detalhadas sobre número de parcelas, juros, multas, tarifas bancárias, nem apresentava o projeto técnico da usina fotovoltaica, sua localização e capacidade. O vereador também destacou a ausência de informações sobre a casa de apoio em João Pessoa, como valor do imóvel, área total e localização.
"Não fomos contra o projeto em si. O problema foi a falta de transparência do prefeito. Sem garantias claras, estaríamos comprometendo o futuro do município, que já tem um FPM pouco acima de R$ 1 milhão por mês. Destinar 10% desse valor a um financiamento poderia inviabilizar investimentos básicos para as próximas gestões", declarou.
Em resposta, o prefeito Lucas Braga, através do Ofício nº 104/2025, enviou simulações financeiras mostrando que as parcelas do empréstimo seriam decrescentes, chegando a valores em torno de R$ 33 mil mensais. Segundo o Executivo, a usina de energia solar eliminaria os custos com energia elétrica dos prédios e serviços municipais, que somaram R$ 44,6 mil em junho de 2025, garantindo economia capaz de cobrir as parcelas do financiamento.
Apesar da explicação, a maioria dos vereadores considerou os dados insuficientes.
Votaram contra o projeto: presidente da Câmara Diego Jerônimo, além de Allan Vagner, Francisco Alexandre, Vinícius Gomes, Nego do Peixe e Carlos José.
Votaram a favor: Miguel Neto (líder do governo), Deuzinho Abreu e Kalyne de Fábio de Nego Chico.
Com a rejeição, o prefeito sofreu nova derrota política no Legislativo, sinalizando dificuldades de articulação e enfraquecimento de sua base.
A decisão teve forte impacto no cenário político local. O ex-candidato a prefeito de oposição, Júnior do Peixe, criticou o valor proposto para a compra da casa de apoio em João Pessoa, afirmando que o imóvel não chegaria a R$ 450 mil.
"Quero parabenizar os vereadores guerreiros de Marizópolis que zelaram pelo bem-estar do povo. Diego, Francisco, Carlos José, Nego do Peixe e Vinícius, esses sim representam a população. Enquanto isso, há uma tropinha de três que só defende os interesses do gestor. Alguma coisa de interesse existia nisso", afirmou.
Júnior ainda dirigiu críticas ao vereador Deuzinho Abreu, do Republicanos, partido pelo qual disputou as eleições municipais: "Esse vereador envergonha nosso partido. Já pedimos satisfações ao líder da legenda na Câmara, vereador Carlos José, sobre votações contrárias às diretrizes do partido".
Com a derrota, o prefeito Lucas Braga vê sua base de apoio encolher e sua capacidade de articulação política questionada. As sucessivas rejeições a projetos de interesse do Executivo indicam fragilidade de liderança e perda de domínio sobre o grupo político local, abrindo espaço para que a oposição fortaleça seu discurso junto à população.
Por Pereira Júnior