
Este é o caso de uma menina identificada como Mona, que vive em uma favela em Nova Déli. Aos 13 anos, ela admite evitar água e restringir a ingestão de alimentos para não ir ao local destinada a fazer as "necessidades".
"Às vezes, eu bebo menos - porque (ela estimula a produção de fezes) o local que usamos para defecar ao ar livre fica cheio de rapazes. Tenho medo de ir lá", conta a garota, em entrevista à BBC.
Como estratégia de proteção, mulheres costumam se reunir e no início da manhã ou no fim da tarde para evitar ir sozinhas aos locais.
"Várias mulheres sofrem com comentários obscenos, perseguições e olhares de rapazes da região quando saem para defecar nessas áreas", conta Savita, que também mora em uma favela na capital indiana. "É por isso que temos medo de ir. E sempre temos que reunir outras mulheres e pedir que elas nos acompanhem até o mato", afirma.
O hábito é especialmente perigoso diante as ondas de calor no país. Em Nova Déli, as temperaturas passam de 40 graus no verão. O pesquisador Gulrez Shah Azhar,da RAND Corporation, dos Estados Unidos, constatou em estudo realizado em 2010 que as mulheres estavam mais vulneráveis à desidratação. "Elas se desidratam intencionalmente - e isso pode ter sérios efeitos se estiver muito quente ou se houver uma onda de calor", afirma.