
“A Terapia Comunitária tem um papel importante no processo de cumprimento da medida, pois por meio dela se trabalha tanto a saúde física quanto a mental, bem como é uma forma de trabalhar os conflitos familiares e o fortalecimento das relações sociais. A terapia leva o socioeducando e suas famílias a refletir sobre a prática do ato infracional, levando o indivíduo a repensar sobre sua vida, ações e atitudes”, explicou Cida Pereira, coordenadora do eixo Abordagem Familiar e Comunitária.
Segundo Waleska Ramalho, diretora técnica da Fundac, o Eixo assume novamente essa ação, em parceria com as equipes técnicas das unidades, de forma a materializar a pedagogia da presença no processo de ressignificação da medida. “A terapia comunitária propicia a construção e reconstrução dos vínculos familiares, da interação família e corpo técnico e da escuta propositiva para melhor intervenção no atendimento”, disse a diretora.
Para Cida Pereira, o Eixo Abordagem Familiar e Comunitária tem a responsabilidade de articular as ações da Terapia Comunitária nas unidades socioeducativas. “Durante a atividade é possível trabalhar a autoestima e traçar novo projeto de vida. Pra mim a prática da terapia é um convite ao diálogo e ao descobrimento de novos conhecimentos, inclusive a conhecer a si mesmo, porém é importante estar aberto a essa nova descoberta”, disse a coordenadora do Eixo.
Neste novo ciclo de terapias comunitárias (2019) a diretoria técnica da Fundac, por meio do eixo Abordagem Familiar e Comunitária, está estendendo as atividades terapêuticas ao Centro Socioeducativo Edson Mota, ao Centro Educacional do Jovem e ao Lar do Garoto (Lagoa Seca). Neste mês de retomada das terapias, quatro unidades socioeducativas foram comtempladas: Centro de Atendimento Socioeducativo Rita Gadelha, Centro Educacional do Adolescente, Semiliberdade e Centro Socioeducativo Edson Mota.
Conceição Belmiro, assistente social da Fundac, explicou que a Terapia Comunitária, criada pelo psiquiatra Adalberto Barreto, está fundamentada sobre cinco pilares: Pensamento sistêmico; Antropologia Cultural; Teoria da Comunicação; Pedagogia de Paulo Freire; Resiliência. “Trata-se de um método que promove a atenção integral à saúde através do acolhimento, da escuta, diálogo, formação de redes sociais solidárias, troca de experiências e vivências entre os participantes, fortalecendo os vínculos e o resgate da autoestima”, pontuou Conceição.
Exercendo a técnica da Terapia Comunitária nas unidades Rita Gadelha e Semiliberdade com as adolescentes e seus familiares, Conceição Belmiro, enfatizou ainda, que a atividade terapêutica não está focada na doença, mas na competência das famílias, trazendo soluções para seus problemas cotidianos. “Terapia Comunitária é um espaço de partilha das inquietações, sofrimentos, preocupações, insônia e tudo mais que causa intranquilidade e mal estar ao ser humano, com a finalidade de incentivar a autonomia e a liberdade na relação consigo, com os outros”, acrescentou.
“Ao final da terapia eles percebem que o sofrimento não é apenas deles, mas também de outras pessoas que sofrem com eles, o que alivia e dá força a todos. O testemunho de cada um é muito emocionante, gostamos muito deste momento de partilha. Saímos encorajados, cheios de fé e com paz no coração”, relatou Nalícia Bueno, psicóloga e terapeuta no CEA e no CSE, seguindo a filosofia que diz: “Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara”.
“A Terapia tem sido muito importante para que nós, pais e filhos, possamos ter um momento de diálogo, espontâneo, onde podemos expressar nossos sentimentos e nossos filhos também podem expressar e falar o que sentem”, disse a mãe de um socioeducando. “Achei muito gratificante estar aqui, é muito bom estar aqui, queremos que nosso filho saia logo dessa e que o futuro dele seja gradativo. Quero agradecer a todos por esse dia!”, disse um dos pais, durante o encerramento da Terapia.