Campinense e Treze voltam a se enfrentar na noite desta sexta-feira (30), às 20h, no Estádio Amigão, em Campina Grande. O tradicional Clássico dos Maiorais vai muito além do teste de pré-temporada para a Copa Paraíba: o confronto é visto por ambas as diretorias como um divisor de águas para acalmar os bastidores turbulentos, superar momentos de crise e reconquistar a confiança de suas torcidas.
O torneio estadual adquiriu status de prioridade absoluta para a dupla de rivais. O campeão da Copa Paraíba garante vaga direta na Copa do Brasil do próximo ano, assegurando calendário e uma cota de premiação considerada vital para o planejamento financeiro de ambas as instituições.
A Raposa chega para o clássico pressionada por uma intensa instabilidade administrativa vivenciada desde o fim do Campeonato Paraibano. O conturbado período recente do clube foi marcado pelo afastamento do então presidente Flávio Torreão, pelo retorno de William Simões à liderança do executivo e por denúncias públicas de salários atrasados feitas por atletas do elenco anterior — situação confirmada inclusive pelo ex-técnico Evaristo Piza.
Buscando isolar o departamento de futebol do clima de cobrança extracampo, a diretoria rubro-negra apostou na contratação do técnico Dico Woolley. O treinador assume o comando da Raposa com o desafio de renovar o ambiente e dar início a um ciclo vitorioso dentro de campo.
Do lado do Galo da Borborema, o foco esteve na reestruturação do seu modelo de governança. O Conselho Deliberativo aprovou a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) — formato no qual conselheiros assumem a gestão direta do futebol, mantendo os passivos jurídicos atrelados ao clube associativo. A operação do projeto está sob a liderança do CEO Raul Pequeno.
No aspecto técnico, a diretoria alvinegra optou pela continuidade e manteve o técnico Adriano Souza. O jovem comandante respaldou sua permanência após a campanha na Série D do Campeonato Brasileiro, na qual levou o Treze até a fase de oitavas de final, sendo eliminado pelo São José-RS.
Historicamente marcado pelo equilíbrio, o Clássico dos Maiorais desta noite servirá como um verdadeiro termômetro para os dois lados. Em um contexto de desconfiança das arquibancadas, o resultado no Amigão pode trazer alívio para o vencedor ou intensificar a pressão política sobre o derrotado.