
Conforme Maria do Carmo Diniz, diretora do museu, o relógio de parede pertenceu ao avô do escritor e data do século XIX. O oratório também pertencia à família do autor de ‘Menino de Engenho’ e integravam os ambientes da casa do Engenho Corredor, em Pilar, onde Zé Lins foi criado.
“As peças têm um valor enorme para o museu. O escritor cresceu ouvindo o relógio tocar. E na infância viu as tias ao pé do oratório”, disse Maria do Carmo. Os dois objetos chegam para enriquecer o acervo, que reúne milhares de peças, fotos e documentos relacionados ao autor.
“Só em livros são mais de 5 mil volumes e mais de 400 correspondências”, destacou Carminha. O museu conta, inclusive, com manuscritos de ‘Meus verdes anos’, mobília usada por Zé Lins e o gabinete do escritor. Fundado em 1985, o museu reúne mais de 5 mil volumes, catalogados e informatizados com o acervo bibliográfico do escritor.
O equipamento, localizado na Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) abriga documentos, cartas e manuscritos de obras publicadas por José Lins do Rêgo, assim como fotografias, comendas, objetos pessoais. Também há obras de arte de Bruno Giorgi e de Ismailovitch.
O museu possui em seu acervo coletâneas dos 12 romances publicados pelo autor, inclusive em diversas traduções, como inglês, espanhol, francês russo e romeno. O escritório do escritor foi remontado baseado em fotos de época e mobiliado a partir das doações da família.
Também estão em exposição documentos pessoais de José Lins e de sua esposa, como passaportes, documentos que atestam homenagens e prêmios recebidos pelo autor (tanto em vida quanto após a morte) e a sua carteira de sócio do Clube de Regatas Flamengo (onde ocupou cargo de diretoria e de quem foi torcedor fanático).
O museu tem até a máquina de costura da família, onde foi feito o enxoval de José Lins (filho de seu João e Amélia do Rego Cavalcanti). O local é aberto ao público diariamente e oferece opção de agendamento de visitas para escolas da rede pública e privada.
As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira das 8h30 às 12h e das 14h às 17h30. Aos sábados e domingos, das 8h às 12h e das 14h às 18h. O acesso é pelo subsolo das rampas 3 e 4.
Escritor - José Lins do Rego Cavalcanti nasceu na cidade paraibana de Pilar, no dia 3 de junho de 1901. Morreu no dia 12 de setembro de 1957, no Rio de Janeiro. Ao lado de Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz e Jorge Amado, figura como um dos romancistas regionalistas mais renomados da literatura nacional.
Seu romance de estreia foi ‘Menino de Engenho’, em 1932. Cinco de seus livros integram o ‘Ciclo da cana-de-açúcar’, numa referência ao papel que nele ocupa a decadência do engenho açucareiro nordestino: ‘Menino de engenho’ (1932), ‘Doidinho’ (1933), ‘Bangüê’ (1934), ‘O moleque Ricardo’ (1935) e ‘Usina’ (1936).