
11/11/2025 às 09:14
A COP30 mal começou, mas a imagem que ficou registrada antes mesmo da abertura oficial foi a de salas amplas, luzes coloridas e cadeiras vazias. A Cúpula dos Chefes de Estado reuniu apenas 28 líderes — um número quase 50% menor do que o registrado na COP29, no Azerbaijão, que contou com 59 chefes de Estado ou de governo.
Nas redes sociais, críticos passaram a chamar a conferência de “FLOP30”. Em Brasília, a comparação que ganhou força foi a do “efeito Mick Jagger”: quando o show é grande, a expectativa alta, mas o clima final é de azar, constrangimento e resultado abaixo do esperado — como ficou marcado na Copa de 2010, quando a presença do cantor em arquibancadas foi associada a derrotas históricas.
O “evento que não aconteceu”
O episódio mais simbólico ocorreu na noite de quinta-feira: a primeira-dama Janja Lula da Silva promoveu um coquetel de recepção para chefes de Estado e delegações.
Nenhum dos principais líderes internacionais compareceu.
Para evitar um salão praticamente vazio com música, luz e buffet prontos, assessores do Planalto correram pelos bastidores convidando ministros, dirigentes de estatais e figuras do próprio governo que não estavam previstos na lista.
Compareceram:
O presidente Lula ficou cerca de 30 minutos no local e deixou o evento visivelmente irritado, acompanhado da primeira-dama.
A cena repercutiu discretamente entre diplomatas estrangeiros, mas viralizou internamente, reforçando a imagem de que o governo esperava mais do que conseguiu entregar em presença política.
Quem não veio
Entre as ausências mais sentidas:
No total, Belém recebeu 15 presidentes, 11 primeiros-ministros e 2 líderes de realeza — contra 31 presidentes e 30 premiês no ano anterior.
Mesmo aliados regionais de Lula não desembarcaram.
Até o vizinho Uruguai, governado por um mandatário de esquerda, enviou representante, mas não o chefe de governo.
Por que isso importa
O Dia dos Líderes é o momento político mais valioso da COP: é onde se fecham anúncios, pressionam financiamentos e constroem compromissos internacionais.
Com metade da presença, o Brasil perde:
“Efeito Mick Jagger”
A expressão ganhou tração porque simboliza uma lógica simples:
Quando tudo é preparado para ser grandioso — e sai menor — a narrativa muda.
De anfitrião global, o Brasil corre o risco de virar anfitrião solitário.
Assim como nos estádios em 2010, o problema não é a presença — é o resultado que ela produz.
O que fica
O constrangimento do coquetel de Janja não é episódio isolado.
Ele se tornou símbolo visual do esvaziamento diplomático da COP30: o salão estava pronto, mas a plateia não veio.
E, no jogo da diplomacia, imagem vale tanto quanto acordo.
Fonte: hora brasilia
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