Nesta terça-feira (17), o dólar alcançou a cotação de R$ 6,16, marcando um novo recorde nominal frente ao real, em meio à crescente desconfiança dos investidores em relação à situação fiscal e monetária do Brasil. A moeda norte-americana segue pressionada por fatores internos e externos, destacando o impacto do pacote fiscal do governo e a aversão ao risco global.
A abertura do mercado já apontava para a tendência de alta, com o dólar ultrapassando os R$ 6,10 logo nas primeiras horas do dia. Apesar das intervenções recentes do Banco Central (BC), incluindo leilões extraordinários que injetaram US$ 4,6 bilhões no mercado, a valorização da moeda estrangeira se manteve inabalável.
Especialistas indicam que os movimentos do Banco Central têm sido insuficientes para conter a escalada da moeda. “Embora as intervenções reduzam a volatilidade no curto prazo, elas não atacam os problemas estruturais que alimentam a desvalorização do real”, analisa Rodrigo Silva, economista da RS Consultoria.
O pacote fiscal anunciado pelo governo federal, incluindo cortes orçamentários e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, foi recebido com ceticismo pelo mercado. Investidores avaliam que as medidas não são robustas o suficiente para reverter o cenário fiscal desafiador, agravando a percepção de risco e impactando diretamente o câmbio.
O contexto global também contribui para o fortalecimento do dólar. A expectativa pela decisão do Federal Reserve, que pode aumentar as taxas de juros nos Estados Unidos, tem direcionado investidores para ativos considerados mais seguros, como o dólar. Nesse cenário, o real despontou como a moeda mais desvalorizada entre os mercados emergentes nesta semana.
A instabilidade no câmbio tem reflexos em outras áreas da economia. A Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão anterior com uma queda de 0,84%, enquanto o Banco Central sinalizou, em ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que novos aumentos na taxa Selic poderão ser necessários em 2025, caso o cenário fiscal e inflacionário continue deteriorado.
Com a taxa básica de juros já em 12,25% ao ano, analistas não descartam a possibilidade de a Selic atingir 14,25% em 2025, patamar registrado durante a crise de 2015-2016. O aumento dos juros, além de encarecer o crédito, pode impactar ainda mais o consumo e os investimentos, agravando o cenário econômico.
Enquanto isso, economistas reforçam que a estabilidade só será alcançada com um plano fiscal sólido e ações que restabeleçam a confiança do mercado. “A solução passa por políticas coerentes que garantam previsibilidade e tragam ânimo aos investidores”, afirma Hayson Pereira, analista da Future Markets.