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Viva Maria relembra ensinamentos de Raimunda dos Cocos sobre a morte

02/11/2026 18:35 Fonte: Rádio Agência

Neste Dia de Finados, quando a saudade acende suas velas e a memória nos devolve a presença de quem já partiu, Viva Maria convida você a escutar uma mulher que aprendeu, na dureza da vida e na ternura da fé, a conversar com a morte sem deixar de celebrar a vida.

Dona Raimunda dos Cocos, mulher da terra, guardiã de saberes e de uma coragem que não se aprende nos livros, nos deixou reflexões que atravessam o tempo.

Para ela, morrer é uma certeza. Mas a vida é tão boa que, se pudesse escolher, ela voltaria a este mundo. E voltaria mulher, com o mesmo pensamento de hoje!

Vamos ouvir Dona Raimunda, em uma conversa que foi ao ar no Natureza Viva, em 2 de novembro de 1999.

"Eu encaro a morte como uma coisa normal. Tenho certeza que ela vai vir. Ela vai chegar. A gente teme a morte. Jesus também temeu. Tenho medo da morte, daqueles que querem me matar, sem que seja a vontade de Deus".  

Palavras fortes, sobretudo quando lembramos de tantas mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência. A fé de Dona Raimunda não é uma aceitação do sofrimento a qualquer preço. É também uma maneira de afirmar o valor da vida e o direito de vivê-la sem medo.

E foi na fé que ela encontrou forças para enfrentar uma das despedidas mais dolorosas de sua história: a morte da própria mãe, como ela nos contou em entrevista realizada durante a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que ocorreu em Brasília em julho de 2004. 

Dona Raimunda dos Cocos foi uma mulher de coragem. E sua sabedoria também nos leva a olhar para as violências que, por tanto tempo, foram silenciadas dentro de casa, tratadas como assunto privado, escondidas sob o peso do medo e da vergonha.

No primeiro episódio da série Mudando o Mundo com as Mulheres da Terra, que produzimos no inícios dos anos 2000, ela contou uma história familiar que revela como a violência contra as mulheres atravessa gerações. Uma lembrança dura, narrada com a linguagem popular e a força de quem não se cala diante da injustiça.

Que nenhuma mulher precise esperar a morte de seu agressor para imaginar uma reparação. Que nenhuma mulher tenha de conviver com o medo dentro da própria casa. E que a sociedade saiba escutar as vozes que durante tanto tempo foram caladas.

Neste Dia de Finados, que a saudade se transforme em cuidado, que a lembrança se transforme em compromisso e que a esperança nos ajude a defender a vida em todas as suas formas.

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