A Trilha da Coluna Prestes no sertão da Paraíba

A Coluna Prestes foi um movimento político, liderado por militares, contrário ao governo da República Velha e às elites agrárias.

A Coluna Prestes foi um movimento político, liderado por militares, contrário ao governo da República Velha e às elites agrárias. Este movimento ocorreu entre os anos de 1925 e 1927. Teve este nome, pois um dos líderes do movimento foi o engenheiro militar, capitão e líder revolucionário marxista, Luís Carlos Prestes “O Cavaleiro da Esperança”. Uma das personalidades políticas mais influentes no país durante o século XX.

A principal causa foi a insatisfação de parte dos militares (tenentismo) com a forma que o Brasil era governado na década de 1920: falta de democracia, fraudes eleitorais, concentração de poder político nas mãos da elite agrária, exploração das camadas mais pobres pelos coronéis (líderes políticos locais). A marcha abalou o poder e foi o despertar para a luta por um Brasil diferente.

Os objetivos da Coluna era percorrer grande parte do território brasileiro (principalmente interior), incentivando a população a se rebelar contra o governo e as elites agrárias. Derrubar o governo do presidente Arthur Bernardes, implantar o voto secreto, encerrando com o tradicional cabresto eleitoral e o ensino fundamental obrigatório, acabar com a miséria e a injustiça social no Brasil. Por onde passavam, faziam comícios, incitando o povo contra a tirania do governo federal. Foi o maior movimento militar no Brasil que defendeu os direitos do povo. A marcha terminou em 1927, quando os revoltosos se exilaram na Bolívia e na Argentina. Terminavam a longa epopeia revolucionária pobres e debilitados, mas altivos e com a certeza de dever cumprido.

Na guerra de movimento deflagrada pela Coluna Prestes não houve vencedores e vencidos. Apesar de não ter arregimentado um exército revolucionário pelo Brasil, os rebeldes ganharam fama de heróis na imprensa e no imaginário popular, que contribuiria para a queda da República Velha e e suas oligarquias. Apesar de comandada pelo general Miguel Costa, a competência de Luiz Carlos Prestes gerou-lhe prestígio e o respeito do líder paulista, que na prática, entregou-lhe o comando da Coluna.

“Formada pela União das Colunas Paulistas e Rio Grandense a Coluna Prestes, conhecida assim popularmente, mas oficialmente com o nome de Coluna Miguel Costa – Prestes marchou por 674 dias percorrendo 24.947 km, passando pelos seguintes estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e terminou na Bolívia em fevereiro de 1927 com um total de 53 combates vitoriosos (invictos), com um contingente variável de 1500 homens”, disse José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor do Departamento de Geografia do Campus Central da UERN. Mestre em Desenvolvimento e Meio.

“Sua tática de guerrilha foi conhecida internacionalmente, como uma das mais prodigiosas façanhas militares da história de guerrilhas; não andavam com menos de 800 homens, consumindo em torno de 100 mil cavalos em sua jornada, não ficavam mais de 48 horas em um mesmo lugar o que dificultava a sua localização, devido a sua movimentação rápida”, ressalta José Romero Araújo Cardoso.

Líderes da Coluna Prestes pernoitaram no dia 12 de fevereiro de 1926, uma sexta-feira na residência do produtor rural Tibúrcio Gomes Machado e Dona Ângela Nogueira de Jesus (Dona Anginha), “in memoriam”, na Comunidade do Pinhão-Vieirópolis-PB, segundo relato do Sr. Francisco Gomes Machado de saudosa memória. Tibúrcio Gomes Machado e Dona Ângela Nogueira de Jesus (Dona Anjinha), eram os avós paternos do ex-vereador, ex-vice-prefeito, advogado marxista, Francisco Valdemiro Gomes (Chiquinho do PT) da cidade de Sousa-PB.

Poço Dantas também foi rota da Coluna Prestes nos anos de 1926, passando pelo Sítio Miuns a 10 km da sede do município, bem próximo à divisa com o vizinho estado do Rio Grande do Norte. Da comunidade de Miuns estiveram nas comunidades de Tigre, Imbé, São Bernardo, Aparecida e na pequena área urbana da cidade de Luís Gomes-RN.
A Coluna Prestes passou por Uiraúna, primeiramente pela comunidade de Aparecida, logo após chega a Luís Gomes-RN e depois voltando a terras uiraunenses vai à Comunidade de Sítio Olho DÁgua Seco, depois para Santa Umbelina e também para a comunidade de Quixaba, quando parte em direção ao município de Vieirópolis.

Em 9 de fevereiro de 1926, a Coluna Prestes, comandada por Luís Carlos Prestes, Miguel Costa e Juarez Távora, passou pela Paraíba. Entre 5 e 12 de fevereiro de 1926, a Coluna Prestes passou pelo alto sertão paraibano, nos municípios de Uiraúna, Poço Dantas, Vieirópolis, Lastro, Santa Cruz, São Francisco, Pombal, Coremas, Piancó, Santa dos Garrotes, Nova Olinda, Tavares, Princesa Isabel, Santa Terezinha, Catingueira, Patos, Emas e Olho DÁgua, percorrendo 330km do território paraibano. Outro incidente envolvendo um padre ocorreu quando a Coluna passou pelo Vale do Piancó, na Paraíba. Ali o padre conservador Aristides Ferreira da Cruz teria incitado a população a lutar contra os rebeldes. Uma imensa batalha teria sido travada, alguns moradores do local mortos, e o padre trucidado em um barreiro.

De acordo com o historiador José Otávio Arruda, o movimento político-militar da década de 1920, liderado por Luís Carlos Prestes e que exigia a instituição do voto secreto, a defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino primário a toda população, passou por 18 municípios paraibanos. “Entraram em Uiraúna, passando por Sousa, Tavares e em grande parte do Alto Sertão da Paraíba, de forma a evitar a passagem pelas grandes cidades”, explicou.

O deputado estadual, Jeová Campos (PSB-PB) propôs a criação da Trilha Cultural Coluna Prestes no sertão paraibano. A criação de uma Trilha histórico-cultural-turística-ambiental pode alavancar o turismo.

“Eu acho esse tema fascinante, admiro o movimento, a visão humanista de Prestes, a região por onde a coluna passou é belíssima, é uma região pouco aproveitada turisticamente, ecologicamente, economicamente e a criação desta trilha é um filão que pode ser um indutor para alavancar essa região sertaneja como um polo de atração cultural, porque o fato histórico existiu, foi importante para o país e tem marcos aqui na Paraíba”, destacou o parlamentar.

“Trata-se de um projeto pensado na história e projetado para o futuro, que servirá como instrumento de formação ética e intelectual das novas gerações”, defende Jeová Campos.

Ministério do Turismo, Estado, prefeituras municipais e associações culturais precisam somar esforços para transformar o fato histórico num fator de desenvolvimento cultural e turístico desses municípios do Sertão, valorizando sua importância histórico-cultural na história da Paraíba.As pessoas reconhecer esse trajeto como um roteiro de conhecimento. A implantação da Trilha da Coluna Prestes na Paraíba é uma iniciativa louvável porque, de fato, é um acontecimento importante, mas que ficou esquecido ao longo da história. Trará vitalidade à discussão, tornando a Paraíba mais conhecida, mais culta e uma ferramenta de formação intelectual das futuras gerações.

 

Abdias Duque de Abrantes – jornalista, servidor público, advogado e pós-graduado em Direito Processual do Trabalho pela Universidade Potiguar (UnP), que integra a Laureate International Universities

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