PIB e confiança: mais uma anotação na agenda

Depois do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Poor’s, no último mês de janeiro, agora foi a vez de outra agência fazer o mesmo

Depois do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Poor’s, no último mês de janeiro, agora foi a vez de outra agência fazer o mesmo. A Fitch Ratings rebaixou, no dia 26 de fevereiro, a nota do Brasil de BB para BB-. A figura evidencia que o país está mal posicionado. Mas o que quer dizer o tal rating de crédito de um país?

Significa o risco de não pagamento das dívidas dentro do prazo fixado. Ou seja, a probabilidade do governo não pagar o que prometeu aos seus investidores no prazo acertado. Para entender melhor, basta pensar na probabilidade daquele amigo a quem você emprestou dinheiro não lhe pagar no tempo acordado.

O rating de crédito, então, influencia questões como: quem quer emprestar dinheiro para o Brasil? Qual é a taxa de juros que se cobra de quem não é bom pagador - ou pelo menos tem essa fama? Apesar das críticas que podem ser feitas a essas agências de avaliação de risco, são elas que dão a nota. É como aquele professor carrancudo... você pode até não gostar dele, mas é ele que aponta a sua a nota. Mas nunca esqueça que o desempenho é seu.

A economia brasileira continua a se recuperar de uma prolongada e profunda recessão econômica. A Fitch projeta crescimento médio de 2,6% no período 2018-2019, acima da estimativa de 1% em 2017. O crescimento deverá ser sustentado pelas condições favoráveis da demanda externa, assim como por uma recuperação na demanda doméstica. Entretanto, a força da retomada do crescimento poderá ser limitada por incertezas políticas, fiscais e em relação às reformas.

O relatório ainda traz que o governo registrou algum progresso em sua agenda de reformas microeconômicas ao longo do ano passado. A reforma trabalhista e a conversão de uma taxa de crédito subsidiada de longo prazo (TJLP) em uma taxa de crédito de longo prazo alinhada ao mercado (TLP) foram medidas positivas para melhorar a alocação de recursos, embora seu impacto sobre a economia mais ampla deva levar tempo para se materializar.

Ao mesmo tempo, a inflação continua moderada e as expectativas de inflação continuam bem ancoradas em torno da meta, refletindo os ganhos de credibilidade da política monetária do Banco Central. Nas partes supracitadas, e no relatório como um todo, fica bastante claro o motivo do rebaixamento: o governo não fez a lição de casa. E não apresenta condições de fazê-lo em curto prazo.

Mais uma vez o cenário político brasileiro se sobrepõe ao econômico. Por julgar o assunto como impopular, o Congresso Nacional brasileiro preferiu não avançar no tema. Porém, nossa resiliente economia mostra sinais de vida: arrecadação fiscal de janeiro/18 em alta e confiança crescente da maioria dos segmentos empresariais. Na ponta dos especialistas, o Relatório FOCUS, do Banco Central do Brasil, aponta sucessivos aumentos na expectativa para o PIB em 2018. E apesar do ânimo geral, continuamos em alerta!

 *Christian Frederico da Cunha Bundt é Administrador, professor e membro do Comitê Macroeconômico do ISAE – Escola de Negócios.

 

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