Lamentável

Conselheiro do Santos faz declarações racistas; clube repudia, e torcida pede expulsão

Adilson Durante Filho admite autoria de gravação na qual diz que "todo pardo é mau caráter"

Adilson Durante Filho, conselheiro do Santos, fez uma série de declarações racistas num áudio que começou a circular nesta quinta-feira em grupos de whatsapp de torcedores do clube. O próprio Durante Filho reconheceu a autoria da gravação, "de alguns anos atrás". Dirigindo-se a um interlocutor não identificado, ele diz:

– Sempre que tiver um pardo, o pardo o que que é, não é aquele negão, também não é o branquinho. É o moreninho, da cor dele. Desses caras, tem que desconfiar de todos. Todos que tu conhecer. Essa cor é uma mistura de uma raça que não tem caráter. É verdade, isso é estudo. Todo pardo, todo mulato, tu tem que tomar cuidado. Não mulato tipo o Pedro, o Pedro é tipo índio, tipo chileno, essas porras. Estou dizendo mulato brasileiro, entendeu, dos pardos brasileiros. São todos mau caráter. Não tem um que não seja.

Diante da repercussão do caso, o Santos publicou em seu site uma nota oficial para "reafirmar absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo". Adilson Durante Filho também divulgou uma nota, na qual atribui as ofensas racistas a "um momento infelicidade", pede "desculpas a todos que se sentiram ofendidos" e afirma sentir "mais profundo arrependimento". As íntegras das duas notas estão ao fim deste texto.

A torcida do Santos reagiu imediatamente nas redes sociais, por meio das hashtags #SantosAntiRacista e #ExpulsaORacista.

O Código de Conduta e Ética do Santos diz logo em seu artigo 3 que é dever dos conselheiros (e de todos a quem o documento se dirige) "respeitar e promover a diversidade e combater todas as formas de preconceito e discriminação em consequência de raça, cor de pele, nacionalidade, posição social, idade, religião, sexo, estética pessoal, convicção política, orientação sexual, condição física, mental ou psíquica, estado civil ou qualquer outro fator de diferenciação individual".

O estatuto do Santos prevê penas de advertência verbal, censura escrita, suspensão e até eliminação do quadro associativo para quem violar as regras do clube.

Para que Durante Filho seja expulso, como quer parte da torcida, é preciso que uma denúncia seja subscrita por, no mínimo, 20 membros do Conselho Deliberativo, do qual ele próprio faz parte. O GloboEsporte.com procurou Marcelo Teixeira, presidente do Conselho, mas até a publicação deste texto ele não atendeu aos telefonemas e não respondeu as mensagens enviadas para seu celular.

Adilson Durante Filho, que já foi diretor do clube, também é secretário-adjunto de Turismo de Santos. Procurada, a prefeitura ainda não se pronunciou.

Nota publicada por Adilson Durante Filho

Com relação a um antigo áudio de alguns anos atrás que circula nas mídias sociais, de minha autoria, gostaria de expor que, em um momento de infelicidade e levado pela emoção, em decorrência de um fato que muito me abalou, acabei me expressando de forma absolutamente diversa das minhas crenças e modo de agir. Jamais tive a intenção de atingir quem quer que seja, até porque assim me manifestei em um pequeno grupo de supostos amigos de WhatsApp. Consigno que não tenho qualquer preconceito em razão de cor, raça ou credo, pois minha criação não me permitiria ser diferente. Peço, humildemente, desculpas a todos que se sentiram ofendidos, e expresso, por meio deste comunicado, meu mais profundo arrependimento quanto às palavras genericamente proferidas

Nota oficial do Santos:

O Santos Futebol Clube tem em sua trajetória a marca de ter sido, nos anos 60, um dos símbolos mais fortes, a nível mundial, do combate ao racismo, ainda engatinhando naquela época, mas que se fortalecia. O time mágico de Pelé, Pepe, Coutinho, Zito e tantos outros gênios do futebol espalhou aquela maravilhosa imagem de brancos e negros se abraçando para comemorar gols que encantavam o mundo. Até hoje mantemos acesa essa tradição. Assim, é muito triste que tantas décadas depois tenhamos de vir a público reafirmar nosso absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo.

Temos orgulho da nossa história construída em 107 anos de existência por ídolos negros, pardos, brancos e seres humanos de todas as etnias. Brasileiros, somos produto da miscigenação. Santistas, vamos continuar lutando pela paz do nosso branco e pela nobreza do nosso preto, cores eternamente entrelaçadas em nossa história.

Globo Esporte.

Repórter PB

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