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Evangélicos Adoradores de Baal | Fabio Campos

“Então pegaram o novilho que lhes foi dado e o prepararam. E clamaram pelo nome de Baal desde a manhã até o meio-dia"

Por Fabio Campos

Texto base: “Então pegaram o novilho que lhes foi dado e o prepararam. E clamaram pelo nome de Baal desde a manhã até o meio-dia. "Ó Baal, responde-nos!”, gritavam. E dançavam em volta do altar que haviam feito. Mas não houve nenhuma resposta; ninguém respondeu.” – 1 Reis 18:26 (NVI)


Alguns evangélicos estão servindo e adorando um “deus” diferente do Pai de Senhor Jesus Cristo. Votos, ritos e sacrifícios são realizados na expectativa de que por Deus serão ouvidos.

O evangelicalismo brasileiro (não todo ele) está em maus lençóis. Com zelo, porém, sem entendimento, estão prestando culto a um “deus desconhecido” convencidos de estarem adorando ao Deus da Bíblia. Com efeito, Jesus foi moldado a própria imagem e semelhança deste pessoal; como disse Blaise Pascal: “Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e o homem devolveu a gentileza”.

É exatamente isto o que tem acontecido na maioria das igrejas evangélicas, principalmente nas neopentecostais. Mudaram os atributos de Deus; na ignorância, fizeram para si um deus pequeno, do tamanho deles, que depende de ordens e decretos dos bispos, apóstolos e pastores que se auto-intitularam “ungidos do Senhor”; um deus pagão parecido com Baal, onde “atos proféticos” precisam ser realizados para que ele possa manifestar. Não se trata do Senhor, mas de um ídolo criado de acordo com as suas cobiças. Bem diferente do Deus pregado por Jesus.

Baal era basicamente um deus do clima e, desse modo, responsável pelas colheitas. Os ritos dedicados a esta divindade eram realizados de forma frenéticos, pois, entendiam que, quanto mais barulho e êxtase (um tipo de reteté 1), maior eram as chances de obter êxito para suas petições.

Israel vivia um tempo de seca que durara aproximadamente três anos. O rei Acabe e sua esposa Jezabel, levou o povo a adorar e confiar em Baal. Elias, profeta de Yahweh, lançou um desafio aos quatrocentos e cinquenta profetas que servia este ídolo. Aquele que respondesse com fogo do céu, consumindo o sacrifício ali posto, deveria ser reconhecido como único Deus verdadeiro (1 Rs 18. 1-40).

A Bíblia diz que, os quatrocentos e cinquenta profetas preparam o sacrifício, oraram desde a manhã até o meio dia. Eles GRITAVAM: “Ó Baal, responde às nossas orações!”. Também dançavam em volta do altar que haviam feito. Porém, não houve resposta.

O profeta Elias, por sua vez, começou a caçoar deles, dizendo que orassem mais alto, pois poderia ser que Baal estivesse meditando ou que tivesse ido ao banheiro; ou que talvez estivesse dormindo.

Quando chegou sua vez de orar – antes de qualquer outra coisa – Elias fez o que o Senhor requer de seus servos: “consertou o altar do Senhor Deus, que estava derrubado”. Como bem disse Hermas, pastor do século II: “Cuidemos para não buscar experiências místicas quando o que deveríamos estar buscando é arrependimento e conversão”.

Com uma oração curta – que segundo comentaristas, durou aproximadamente dez segundos – Elias pediu a Deus que mostrasse àquele povo que o Senhor de fato era o Único, e que ele, Elias, era verdadeiro profeta.

Deus respondeu Elias.

Após a curta oração, o fogo consumiu o sacrifício. Vendo aquilo, o povo se ajoelhou e encostou o rosto no chão, orando: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!”

Hoje, de igual modo, o paganismo de Baal está na crença (pois não posso chamar isto de fé) de alguns líderes religiosos, que exigem dos fiéis sacrifícios extremos (seja físicos ou financeiros), dizendo que, somente assim, terão a atenção de Deus.

Se o pedido não for atendido, “dobre a oferta!”; se a sua vida não está prosperando, “faça um ritual de quebra de maldição!”; se porventura você não está conseguindo largar os vícios, “participe das reuniões de cura e libertação e de grande renuncia!”2 Deste modo, Deus poderá fazer algo por você – dizem eles. Isto é paganismo travestido de cristianismo.

O cristianismo consiste principalmente, não naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós – as coisas maravilhosas e grandiosas que Deus concebeu e conquistou para nós em Cristo Jesus 3.

Uma igreja fascinada por sucesso e poder é presa fácil do Diabo. As pessoas desta comunidade serão facilmente persuadidas a colocarem sua confiança nas obras e em suas “experiências místicas”. O anseio por estimulantes suplica por experiências que mexem com o estado de espírito. O culto racional, conforme ensinado pela Bíblia (Rm 12. 1-2), não será mais suficiente. As conseqüências serão trágicas; o efeito será o mesmo produzido pelas drogas; dependência por novos estímulos em busca de satisfação.

Precisamos ter cuidado com isto.

Procure uma pessoa verdadeiramente contemplativa – não aquela que ouve vozes angelicais e tem visões poderosas de querubins, mas a que baixa a guarda para se encontrar com Deus.4

Qualquer pessoa que esteja verdadeiramente faminta por Cristo – que estiver disposta a abandonar as cobiças da carne – logo rejeitará a mensagem propagada por estes religiosos midiáticos através do rádio e da televisão.

Isto não é evangelho; a alma do homem só poderá encontrar saciedade, e o coração repouso, se de fato Cristo estiver presente. Este pessoal, todavia, por não terem Cristo como fonte de satisfação, buscam, insaciavelmente, poder e riqueza.

Ao contrário de Buda, Maomé e dos fundadores de outras religiões mundiais, Jesus nos convida não apenas a crermos nos seus ensinos, mas a colocar toda a nossa fé n’Ele.5 Aqui consiste a pureza do evangelho e o escândalo da Cruz: toda soberba, principalmente religiosa, isto é – ego, controle, justiça própria, espiritualidade indulgente, ausência de liberdade – deve jazer no Calvário.

Por fim, os profetas de Baal dançaram, gritaram, se mutilaram; tudo para que pudessem ser ouvidos naquele momento de crise. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus deseja, entretanto, que o amemos e nos sintamos amados mesmo que a vida não esteja em ordem ou que as coisas nas quais nos apoiamos não estejam no lugar certo.

Isto é cristianismo! Isto é fé!

O resto é crença e paganismo!

Que Deus, por Sua misericórdia, possa reconduzir esta “igreja desviada” do caminho da simplicidade devida a Cristo.

Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.

Soli Deo Gloria!

Fabio Campos
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1 Manifestação física praticada durante cultos ligados a algumas igrejas pentecostais e neopentecostais.
2 Uma oração (que mais se parece com um mantra) onde as pessoas (principalmente novos convertidos) devem recitar e declarar ao mundo espiritual a renúncia dos pecados cometidos e suas conseqüências, invalidando assim, a suposta legalidade que o Diabo tenha sobre a vida de alguém. Geralmente é feito por preletores de batalha espiritual.
3 MANNING, Brennan. O impostor que vive em mim. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2007, p. 185.
4 Ibid, p.22.
5 MANNING, Brennan. A assinatura de Jesus. São Paulo, SP; Mundo Cristão, 2006, p. 21

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