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Excesso de peso aumenta o risco de desenvolver câncer renal

Estudos científicos reforçam a ligação entre o tumor e os quadros de obesidade, condição que tem avançado no País

Frequentemente associado às doenças cardiovasculares ou metabólicas, como a hipertensão e a diabete, o excesso de peso também é um dos principais fatores de risco para os vários tipos de câncer. E a literatura médica aponta uma relação considerável no caso dos tumores renais. Um aumento de 5kg/m² no Índice de Massa Corporal (IMC), por exemplo, está relacionado a um risco 25% maior de desenvolver a doença, de acordo com um estudo populacional com 5,24 milhões de pessoas realizado no Reino Unido e veiculado recentemente pela publicação científica The Lancet.

Dados nacionais também reforçam a associação entre o excesso de peso e o risco aumentado para câncer renal. Um relatório elaborado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com o Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF), aponta que a obesidade é responsável por 16% dos casos de câncer renal entre as mulheres do País e por 10% desses tumores entre os homens. Além disso, uma metanálise que combinou 221 estudos, 17 deles sobre tumores renais, também reuniu evidências consistentes a respeito da relação entre obesidade e câncer de rim.

Nesse contexto, o avanço da obesidade entre os brasileiros é uma realidade que tem preocupado os oncologistas. A maioria dos brasileiros adultos, ou 56,9% da população com mais de 18 anos, está acima do peso normal, ou seja, apresenta um índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 25, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, um em cada quatro indivíduos apresenta obesidade, com um IMC acima de 30.

“A proporção de pessoas obesas no País tem aumentado e esse cenário é preocupante. Juntamente com o tabagismo, o excesso de peso, principalmente quando se trata do acúmulo de gordura abdominal, é um dos principais fatores de risco evitáveis para o câncer de rim”, afirma o oncologista José Augusto Rinck Junior, que atua no A.C.Camargo Cancer Center e no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com o médico, nos obesos ocorre uma sobrecarga dos rins, que necessitam filtrar mais sangue do que o normal para atender à demanda do organismo. “Conforme o peso aumenta, ocorre essa hiperfiltração compensatória, sobrecarregando a principal estrutura do rim, chamada glomérulo. Com isso, ocorre um aumento de pressão dentro do órgão, lesionando suas células. E esse é um processo que pode funcionar como gatilho para a proliferação de células cancerosas”, complementa.

O médico lembra que outras doenças relacionadas ao excesso de peso, como diabete, colesterol alto e hipertensão, também agridem o rim, um órgão bastante vascularizado. “De um modo geral, todas as enfermidades que afetam as veias e as artérias também exercem um impacto sobre o rim”, afirma Rinck Junior. “E, muitas vezes, o indivíduo obeso já apresenta várias dessas comorbidades”, complementa.

O tratamento

Se no passado o câncer de rim era considerado uma doença com poucas opções terapêuticas, nos últimos anos foram desenvolvidas alternativas capazes de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e aumentar a sobrevida. Esse é o caso de Inlyta (axitinibe), da Pfizer, lançado no Brasil no ano passado para o tratamento de pacientes com carcinoma de células renais avançado (RCC, sigla em inglês para renal cell carcinoma), tipo mais comum de câncer de rim. Inlyta é indicado para pacientes que foram anteriormente tratados com sunitinibe ou citocina.

Comercializado nos Estados Unidos e na União Europeia, Inlyta é uma terapia-alvo oral baseada na inibição seletiva de receptores do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que têm papéis importantes no crescimento dos novos vasos sanguíneos que nutrem o tumor e estimulam, assim, a progressão metastática.

A chegada de Inlyta ao mercado complementa o portfólio da Pfizer no Brasil para o tratamento de câncer renal, que já conta com Sutent, desde 2006, e também com Torisel, desde 2010. Com isso, a Pfizer reafirma seu compromisso de investir em tratamentos inovadores que ampliem e melhorem a vida de pessoas, considerando o segmento oncológico como uma de suas áreas prioritárias para os aportes em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).


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