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“O evangélico conservador está cada vez mais barulhento”, reclama Estadão

Jornal chama Bolsonaro e Feliciano de “hipermoralistas”

Nas últimas semanas, boa parte da mídia brasileira vem fazendo uma campanha velada contra o que classifica de “extrema direita”. Todo grupo político ou religioso que se opõe às pautas globalistas e que contrariam o “politicamente correto”, vem recebendo o mesmo rótulo.

Foi no Estadão que a jornalista Eliane Cantanhêde, que também é comentarista da GloboNews, em sua coluna do dia 12 defendeu Judith Butler e reclamou do que chama de “contra-ataque do conservadorismo”.

Nesta segunda-feira, o jornal apresentou uma longa entrevista com o sociólogo e professor da USP Ricardo Mariano. O tema era a preocupação da publicação com “o radicalismo no discurso conservador das igrejas evangélicas”.

Mariano reclamou que “o discurso moralista está ocupando a mente da população e entrando na pauta dos debates de maneira decisiva na próxima eleição presidencial”. Para a publicação isso é ruim, pois “o evangélico conservador está cada vez mais barulhento”.

Na semana passada, ocorreu o encontro anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), onde 1200 cientistas sociais discutiram exaustivamente sobre os impasses atuais da democracia brasileira. Obviamente, a religião foi um dos assuntos em pauta

Mariano, atual secretário geral da Anpocs, apresentou um estudo sobre a expansão e o ativismo político dos grupos evangélicos conservadores no país. Nele, se queixa que, via de regra, os evangélicos se opõe a todo tipo de aborto e ao casamento gay.

Para o Estado de São Paulo, é ruim a “onda moralista” que cresce no país. A publicação também não vê com bons olhos o fato de crescer a cada ano os representantes parlamentares identificados com grupos religiosos.

Ricardo Mariano fez a seguinte análise: “Nos legislativos municipais, estaduais e federal, a maioria, mas não todos, tende a sustentar projetos de lei de caráter conservador no plano moral relativos à sexualidade e à família”. Para o sociólogo, são os assuntos relativos à moralidade um dos pontos de coesão do multifacetado movimento evangélico brasileiro.

“A cruzada moral é apresentada como trunfo da representação política em defesa do evangelho e dos evangélicos”, tenta resumir Mariano. “Os evangélicos procuram instrumentalizar seu poder político partidário, eleitoral e parlamentar para defender seus interesses institucionais e corporativos, obter recursos públicos para suas obras sociais, isenção do pagamento de taxas e cargos públicos”, reclama.

Porém, o jornal insiste que o grande problema, na verdade, seria o apoio desse segmento de eleitores ao deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Mas a avaliação política aqui passa por um grande filtro ideológico, evidenciado quando classifica o governo de Michel Temer, que foi eleito na chapa do PT, como “francamente de direita”.

Prosseguindo em sua avaliação Mariano argumenta que Bolsonaro seria “hipermoralista” e, embora não seja evangélico é um aliado antigo de líderes da frente parlamentar evangélica. “Ele tem se esforçado em construir relações e alianças com dirigentes evangélicos na tentativa de catapultar a sua eleição a presidente da República”, avalia.

Além de reclamar de Bolsonaro, o sociólogo faz duras críticas a Marco Feliciano (PSC/SP), classificado de “hiperconservador” e “controverso entre os evangélicos”. Para o sociólogo, “a cruzada moral é apresentada como trunfo da representação política em defesa do evangelho e dos evangélicos”, mas admite que a estratégia da mídia nem sempre dá certo.

“Feliciano, ao presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, em 2013, foi acusado de fundamentalista, intolerante, fanático pela grande imprensa, por inúmeros oponentes políticos e em manifestações públicas. O que aconteceu? Ele dobrou sua votação, passando de 200 mil votos em 2010 para 400 mil, em 2014”, pontua.

A estratégia do jornal em apregoar a desinformação fica evidente também quando usa a entrevista para insistir na ideia que o Rio de Janeiro está tomado pelos “traficantes fundamentalistas”, conforme insistia outra matéria da publicação no último domingo.

Nas palavras de Mariano, “Os evangélicos passaram a se incorporar em todos os setores, no futebol e até mesmo no tráfico. Boa parte dos traficantes no RJ tem se aproximado de igrejas pentecostais. Antes havia uma fronteira entre as igrejas e o mundo do crime e essa fronteira desapareceu. Você vê a molecada no tráfico dando dízimos ou promovendo shows gospel. E os pastores dão essa abertura porque querem convertê-los”.

 


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