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Forças estatais prendem 330 pessoas no 4º dia de protestos na Tunísia

Manifestações são contra pacote de austeridade do qual as autoridades dizem não abrir mão

Mais de 300 pessoas foram presas na noite de quarta-feira (10) e na madrugada desta quinta (11) na Tunísia, no que foi a terceira noite de manifestações violentas contra o aumento de tarifas públicas, impostos e o desemprego.

As medidas fazem parte de um pacote de austeridade do qual as autoridades dizem não abrir mão. Os protestos, porém, também coincidem com o aniversário de sete anos da queda do ditador Zine El Abidine Ben Ali, que desatou a Primavera Árabe.

Os confrontos entre manifestantes e a polícia começaram na segunda em bairros pobres da capital, Túnis, e de outras cidades. Houve ataques a bases policiais e patrimônio público, como trens, ônibus e prédios estatais.

Mais de 200 manifestantes haviam sido presos nos dois primeiros dias. Diante da violência, as autoridades enviaram policiais de choque e tropas às áreas mais conflituosas, o que também levou ao aumento das detenções.

O porta-voz do Ministério do Interior tunisiano, Khelifa Chibani, disse que 330 pessoas foram capturadas, elevando para mais de 600 o número de encarcerados, a maioria acusado de roubo, dano ao patrimônio e saques.

"O que está ocorrendo é crime, não manifestação. Eles roubam, intimidam as pessoas e ameaçam o patrimônio público e privado."

Apesar da pressão social, o governo tunisiano manteve nesta quinta a intenção de não ceder em relação aos aumentos do imposto ao valor agregado (IVA), que incide sobre alimentos e bens de consumo, dos combustíveis e das tarifas públicas.

"Nós não vamos revisar nosso Orçamento ou qualquer um de seus artigos por causa de alguns baderneiros que foram às ruas", afirma o ministro do Investimento, Zied Ladhari.

O primeiro-ministro, Youssef Chaged, acusou adversários políticos de fomentarem a rebelião. "Eu quero acalmar os tunisianos. O Estado está de pé e vai resistir", disse, prometendo manter o direito ao protesto pacífico e investigar os atos violentos.

Negando essa intenção, o principal partido opositor, a Frente Popular, convocou manifestações para próximo domingo (14), dia do aniversário da queda da ditadura.

VIOLÊNCIA

O reforço na segurança se deveu ao descontrole da violência em algumas áreas. Em Thala, na fronteira com a Argélia, tropas foram enviadas após manifestantes incendiarem um prédio da segurança nacional, forçando a polícia a recuar da cidade.

Na terça, coquetéis molotov foram atirados contra uma escola judaica na ilha de Djerba (sul), lar de uma antiga comunidade judaica. Houve também ataques a um tribunal em Siliana e ruas e estradas bloqueadas em Kasserin e Tebourba, onde um homem morreu na segunda.

Os protestos começaram nos bairros da periferia de Túnis, com grupos de jovens, alguns mascarados, atacando bases da polícia e sendo contidos com gás lacrimogêneo.

A Tunísia, único país que sobreviveu à Primavera Árabe, até o momento conseguiu avançar em sua transição democrática, apesar da estagnação econômica e social.

A inflação ultrapassou 6% no final de 2017, enquanto a dívida pública e o déficit na balança comercial atingiram níveis preocupantes.

Embora seja o único sucesso de democracia entre os países inseridos na Primavera Árabe, teve nove governos em sete anos, e nenhum deles foi capaz de resolver os problemas econômicos originários dessa situação. Com informações da Folhapress.


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