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Com denúncias de fraude, presidente do Quênia é reeleito

Uhuru Kenyatta superou seu adversário, Raila Odinga

Em meio a protestos da oposição, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, foi proclamado nesta sexta-feira (11) como vencedor das eleições realizadas na última terça (8).   

No poder desde 2013, o mandatário ganhou o direito de continuar governando, após ter obtido 54% dos votos no pleito presidencial, segundo a comissão eleitoral do país africano. Seu adversário, Raila Odinga, não reconhece o resultado e diz que houve fraudes na votação.

Apesar disso, a oposição descarta recorrer contra o veredicto das urnas. Em 2013, Odinga já tentara acionar a Justiça para reverter sua primeira derrota para Kenyatta (50,5% a 43,7%), mas sem sucesso. Após a divulgação do resultado, o presidente fez um apelo para a população "se abster da violência".   

"Somos cidadãos de uma república. Como em qualquer competição, sempre haverá um vencedor e um derrotado, mas ambos pertencemos a uma grande nação chamada Quênia. Eu lhe estendo a mão em sinal de amizade", declarou Kenyatta, dirigindo-se a Odinga.   

Essas foram as primeiras eleições no Quênia com urnas eletrônicas, o que aumentou a desconfiança entre a população. O próprio Odinga acusou hackers de invadirem computadores da comissão eleitoral para manipular a apuração, que durou três dias, apesar de os votos não serem em papel.   

Em alguns bairros da periferia da capital Nairóbi e de Kisumu, no sul do país, onde o oposicionista prevaleceu, houve protestos contra a vitória do atual mandatário, levantando o temor de que os episódios de 2007 se repetissem.   

No fim daquele ano, a vitória do então presidente Mwai Kibaki, apoiado por Kenyatta, desatou uma onda de manifestações que deixou pelo menos 1,5 mil mortos e 600 mil pessoas desalojadas.   

O atual chefe de Estado chegou a ser acusado no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, na Holanda, de ter incentivado a violência contra a oposição.   

Ele teria organizado bandos armados da etnia Kikuyu, à qual pertence, contra seus adversários, que eram liderados pelo próprio Odinga, também derrotado nas urnas por Kibaki. Em outubro de 2014, Kenyatta se tornou o primeiro chefe de Estado a depor no TPI durante o exercício do mandato, mas o caso acabou arquivado dois meses depois por falta de provas. (ANSA)


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